FOTO CAMILA LIMA
Para reencontrar fãs e outros instigados por sua
música, o cantor Fagner veio a Fortaleza lançando a biografia autorizada
“Raimundo Fagner: Quem me levará sou eu”. Pesquisa e escrita da experiente
Regina Echeverría, a obra é agora lançada nacionalmente. Nessa noite de
terça-feira, 16, o público ganhou bate-papo e sessão de autógrafos na Livraria
Cultura, no bairro Aldeota.
“Fagner é uma referência no cancioneiro nacional e
admirável como ser humano. Além disso, é da nossa terra, temos que prestigiar”,
disse o empresário Carlos Menezes, um dentre as centenas que esperavam na longa
fila da sessão de autógrafos.
“Quem me levará sou eu” trata das amizades e
inimizades colecionadas ao longo da carreira de Fagner — conhecido pelo pavio
curto —, bastidores de shows e gravações, entre muitos outros episódios.
O livro recebeu recursos por meio da Lei Rouanet. O
cantor já havia criticado o uso de lei de incentivo, em entrevista ao jornal O
Globo, em 2013. É uma política cultural, aliás, comumente criticada pela
direita. “Quando olhei, a cena já estava feita, não tive muito o que fazer. Mas
não gostei e reclamei”, disse ele ao mesmo jornal, em entrevista recente.
Em Fortaleza
Antes da sessão de autógrafos, em conversa com o
público, no auditório da livraria, Fagner respondeu a tudo que foi perguntado.
Falou, inclusive, da relação difícil com o cantor e compositor Belchior,
falecido em 2017. “Na composição, foi um dos meus principais parceiros. Foram
cinco ou seis músicas, só, mas ‘Mucuripe’ é uma das mais importantes. Ele me
podava, mas se sentia responsável por mim”, conta, sobre a ida ao Rio de
Janeiro, no início da carreira.
Ele mencionou ainda o início da Fundação Raimundo
Fagner, criada em abril de 2000, para a educação complementar de crianças e
adolescentes. “Lá em casa tinha um movimento danado de gente vindo de Orós
pedindo ajuda. Lá, o pessoal dizia que eu era o padre, o prefeito, tudo. Então,
me pediam muito as coisas”, lembra, com bom humor.
Autoria
Regina, que é amiga de Fagner desde a década de
1970, foi convidada pelo artista para fazer a biografia. Após quase três anos
de trabalho e mais de 60 entrevistas e pesquisas documentais, o livro está nas
lojas físicas e virtuais do País.
A autora conta que a maior dificuldade no processo
de produção foi a falta de tempo do biografado. “Ele trabalha muito, tem muitos
shows para fazer, muitos compromissos. É impressionante pelo tempo de carreira
e idade que ele tem [Fagner vai completar 70 anos em outubro]. A gente sentar,
conversar e eu fazer as entrevistas com ele foi o mais difícil”. A jornalista
se diz, contudo, satisfeita com o resultado.
A biografia, de mais de 400 páginas e recheada de fotografias históricas, contempla detalhes da vida pessoal e obra do cearense, com relatos nunca antes conhecidos pelo público.
O gênero já é consolidado na carreira de Regina,
que, após passagens por grandes redações de jornais e revistas, dedicou-se a
biografar personalidades. A jornalista diz guiar-se pelo faro de interesse do
público, com fatos que ajudam a compreender melhor o personagem e aproximá-lo
do leitor. São onze títulos, principalmente nomes da música nacional (Elis
Regina, Cazuza, Gonzaguinha, Gonzagão e Jair Rodrigues).
SERVIÇO
“Raimundo Fagner: quem me levará sou eu”, de Regina
Echeverria
*Editora Agir. Páginas: 440
*Preço sugerido: R$ 49,90.





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