Matéria copiada do Diário do Nordeste
Parlamentares falaram sobre o tema durante a sessão
na Assembleia Legislativa do Ceará nesta quinta-feira (8).
Deputados estaduais derrotados nas eleições de 2026
no Ceará fizeram, nesta quinta-feira (8), relatos de ameaças e cobrança de
'pedágio' por facções criminosas durante a campanha eleitoral. Os parlamentares
falaram sobre o impedimento de circular por regiões de Fortaleza, as ameaças
sofridas por eleitores e a preocupação com as eleições de 2028.
O primeiro a falar sobre o tema na tribuna da Casa
foi o deputado estadual Antônio Henrique (PSDB). Ele, assim como boa parte da
atual bancada tucana na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), ficou de fora
das vagas após a votação do último domingo (4).
Durante o discurso, Antônio Henrique chegou a se emocionar ao descrever ameaças sofridas durante o período eleitoral. "Aqui não é um choro de quem perdeu não, não estou chorando porque perdi, não. Eu estou emocionado porque está muito difícil", disse.
"Em uma carreata que íamos começar a fazer, nós
fomos ameaçados dizendo que, se não saíssemos, se aquela carreata não
terminasse ali ou, pelo menos, nem começasse, ia ter algo pior. (...) Um amigo
seu ligar para você e dizer 'deputado, eu retirei o adesivo do meu carro,
porque se eu não tirasse, eu estava correndo risco'. Isso é grave. A população
não poder se expressar. Eu caminhei tanto pelas ruas, trabalhando, servindo e
agora ser impedido de caminhar porque não estava do lado que eles
queriam".
Antônio Henrique | Deputado estadual
Cobrança de 'pedágio'
Em discurso na tribuna da Alece, Cláudio Pinho (PSDB) também citou casos semelhantes. "Eu passei, em alguns locais, parecido com o que você (Antônio Henrique) passou, especialmente já em São Gonçalo, disseram (que aconteceu) no Ipu. Mas eu nunca procurei conversa com esse tipo de ação", afirmou.
O deputado estadual, que não foi reeleito, afirmou que recebeu relatos de novas ameaças feitas para a campanha de 2º turno. "Já saiu hoje, e mandaram pra mim em visualização única, de um grupo do Pecém, que campanha lá só com ordem deles", relata.
Pinho projetou ainda como esse problema pode
continuar a ser um desafio em futuras eleições. "Fica o alerta para todos
nós: se o Brasil e o Ceará, não der um freio de arrumação, a próxima eleição,
agora daqui há dois anos, será o crime organizado. E nós precisamos reagir
agora", disse.
Lucílvio Girão (PSB), que também não deve retornar para a próxima legislatura, falou sobre pedidos de "pedágio" feitos à equipe dele durante a campanha eleitoral.
"As facções fazem pedágio, como fez pedágio
para o meu pessoal, cobrando, e eu não sou homem para dar dinheiro para facção
nenhuma. Eu entrei aqui pela porta da frente e vou sair pela porta da frente,
isso é um absurdo", disse.
O deputado estadual falou ainda sobre episódios de ameaças a eleitores, inclusive em cidades do Interior do Estado.
"Eles chegam na casa das pessoas mais humildes,
na minha querida Morada Nova, dão o santinho e o dinheiro e dizer assim 'se você
não votar, eles vêm buscar o dinheiro. E as pessoas ficam com medo",
conta.
Preocupação de todos os candidatos
Líder do Governo Elmano de Freitas (PT), o deputado
estadual Guilherme Sampaio (PT) citou que a tentativa de interferência das
fações criminosas foi uma preocupação de todos os candidatos durante a campanha
eleitoral.
"Todas as campanhas no estado do Ceará
enfrentaram esse desafio. (...) Eu vou lembrar aqui do vereador Adail Júnior,
que estava votando no Elmano, teve sua casa alvejada por tiros, foi ameaçado.
Não baixou a cabeça, obviamente tomou os cuidados e seguiu a campanha".
Guilherme Sampaio | Deputado estadual
"Portanto, essa ameaça, esse risco, essa
preocupação não é de lado A ou de lado B, não é do lado da direita nem da
esquerda", acrescentou. Assim como em 2022, Guilherme Sampaio ficou na
suplência na disputa por uma cadeira na Alece.
Só na manhã do domingo de votação, o Ceará registrou
16 pessoas conduzidas à delegacias da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE)
por crimes eleitorais. Ainda não foi divulgado balanço completo da operação
pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS).




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