Foto: Reprodução
Fonte:
Diário do Nordeste
Uma investigação minuciosa e com uso da tecnologia
levou a Polícia Civil do Ceará (PCCE) a identificar os autores do atentado
contra a filha do presidente do Ceará Sporting Club.
Sérgio Tibúrcio dos Santos e Kaio Fellype Rodrigues
Isackson da Costa foram presos em flagrante sob suspeita de terem participado
do envio de um artefato explosivo à vítima, disfarçado de presente.
Os exames papiloscópicos (de impressão digital)
feitos nos chocolates e no bilhete entregues à jovem, que acompanhavam a bomba
caseira, revelaram a impressão digital do dedo indicador da mão esquerda de
Kaio Fellype.
A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas
Organizadas (Draco) aponta que a prova material vinculou diretamente o suspeito
ao conteúdo da encomenda, "corroborando a sua participação na montagem ou
no manuseio do 'presente'".
Junto aos laudos papiloscópicos estão a prova de
videomonitoramento e dados da Inteligência indicando que a ação do grupo se
tratou de uma "atuação coordenada e com clara divisão de tarefas entre os
três agentes".
Foto: Reprodução
FLAGRADOS
NAS CÂMERAS
Imagens de videomonitoramento flagraram o momento no
qual três suspeitos se reuniram no local onde a vítima estaria, uma escola no
bairro Joaquim Távora, em Fortaleza.
O trio foi até o endereço para tentar entregar um
suposto buquê de flores e caixa de chocolates à filha do presidente do time,
João Paulo Silva.
Logo após a entrega, os criminosos trajados com
vestimentas associadas a uma torcida organizada saem na contramão da via.
Kaio pilotava a própria motocicleta, com a placa
propositalmente suprimida com uma sacola plástica.
"O encadeamento das diligências, realizadas sem
solução de continuidade ao longo de cinco dias, evidencia que a identificação
da autoria não decorreu de intervenção fortuita, mas do desfecho de atividade
investigativa técnica, metódica e progressiva, lastreada na análise exaustiva
de imagens de videomonitoramento e no cruzamento de dados com os órgãos de
inteligência", segundo a Polícia.
Foto: Reprodução
ATAQUE
PREMEDITADO
Já na delegacia, Sérgio teria confessado aos
investigadores que participou da ação criminosa. Ele se disse torcedor do Ceará
e que sabia que outro envolvido (o foragido) levaria uma bomba ao colégio da
adolescente.
A reportagem apurou que Sérgio já responde a outro
processo criminal pela Adulteração de Sinal Identificador de Veículo Automotor.
Dentro da encomenda vinha a bomba caseira, com
pavio, e o bilhete: 'FORA JP SAFADO', se referindo ao dirigente do clube.
O presidente do time chegou a publicar nas redes
sociais que a filha teve ataque de pânico após o episódio e que tomaria
providências legais para proteger sua família e o Ceará Sporting Club.
Para a Polícia, "a escolha de uma adolescente,
filha do presidente do clube, como destinatária do artefato explosivo demonstra
que a conduta criminosa extrapolou em definitivo o âmbito da contestação esportiva
(o qual já se apresenta absolutamente criminoso e reprovável), atingindo a
esfera pessoal e a integridade física de terceiro sem qualquer participação nos
fatos que motivaram o descontentamento dos autores".
A dupla é suspeita pelos crimes de explosão,
associação criminosa e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
A PCCE pede que as prisões em flagrante da dupla
sejam convertidas em prisões preventivas e que a Justiça ainda expeça mandado
de prisão contra um terceiro investigado, que terá o nome preservado nesta
reportagem a fim de não atrapalhar a investigação.
Agora, os investigadores também aguardam que a
Justiça defira a quebra do sigilo telefônico e telemático dos aparelhos
celulares apreendidos, alegando que "a medida revela-se imprescindível
para mapear as comunicações entre os agentes, reconstituir a articulação prévia
ao atentado, identificar a origem da encomenda e do pagamento referido pelo
entregador ('já estava pago por quem mandou') e desvelar a estrutura de apoio e
financiamento da ação, bem como para auxiliar na localização do coautor
foragido".