Foto:Reprodução
Fonte: g1 CE
A policial
militar Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos, presa nesta terça-feira (11) por
envolvimento na morte do soldado Raphael Sampaio da Silva, 27, foi filmada na
oficina do marido, em Fortaleza, no momento em que ela disse em depoimento à
polícia ter ficado amarrada próximo ao local do crime. A contradição foi um dos
pontos que levou à prisão em flagrante da suspeita.
O corpo de
Raphael foi encontrado carbonizado em um carro, no Bairro Ancuri, em Itaitinga,
na Região Metropolitana de Fortaleza, horas antes da prisão da prisão de Júlia
Natália. A Polícia Civil suspeita que a PM forjou estar na cena do crime para
se passar por vítima junto de Raphael, com quem ela teria tido um
relacionamento amoroso.
A agente, que
era colega de equipe e do mesmo batalhão da vítima na Polícia Militar, foi
autuada em flagrante por homicídio. O marido dela também é investigado e foi
ouvido pela Polícia Civil, na noite de terça-feira (11).
Júlia já
respondia por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e por integrar
organização criminosa. Ela estava na corporação desde novembro de 2024.
Imagem
mostra contradição
Júlia Natália
foi localizada no início da tarde desta terça-feira, em uma área de mata ao
lado da BR-116, em Aquiraz. Ela estava com as mãos amarradas e descalça e
procurou ajuda de moradores da região.
"Vi aquela
pessoa na estrada. Ela acenou para mim, fui lá, perguntei o que se tratava e
ela estava pedindo ajuda. Ela estava amarrada, pediu para ligar para o Samu.
Estava muito nervosa, chorando", disse uma testemunha que encontrou a
agente na região.
Em depoimento
prestado à Polícia Civil, Júlia disse ter ficado amarrada durante toda a manhã,
até conseguir sair do matagal e pedir ajuda a moradores da região, que
acionaram as forças de segurança.
No entanto, uma
imagem captada por uma câmera de segurança, obtida pela TV Verdes Mares, mostra
que Júlia esteve na oficina de propriedade do marido dela às 8h52, sem nenhuma
amarra nas mãos. A imagem rebateu a versão apresentada pela PM.
Durante o
depoimento à Polícia Civil, a agente estava com o mesmo vestido de cor rosa que
apareceu nas imagens da câmera de seguranç.
Marido
investigado
Foto: Reprodução
Segundo a
Secretaria da Segurança (SSPDS), o marido de Júlia, que não teve a identidade
informada, foi conduzido para a sede do Departamento de Homicídios e Proteção à
Pessoa, em Fortaleza, por suspeita de envolvimento no assassinato do policial.
O homem foi ouvido por policiais civis.
Ele já responde
por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e
valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma
de fogo de uso permitido.
Ainda conforme a
Secretaria, exames periciais realizados pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce)
no corpo de Raphael Sampaio da Silva não constataram "nenhuma amputação
traumática".
"A perícia
encontrou lesões por arma de fogo feitas na vítima ainda em vida, com posterior
carbonização do corpo", disse a Secretaria da Segurança.
A investigação
segue a cargo da Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública
(DHASP), que realiza diligências e oitivas para elucidar todas as
circunstâncias do fato, segundo a Secretaria.
Investigação
rigorosa
O governador do
Ceará, Elmano de Freitas, também se manifestou sobre a morte do agente.
"Recebi com imenso pesar e indignação a notícia da morte do PM Raphael
Sampaio. Determinei ao secretário da Segurança Pública rigor absoluto nas
investigações. Os responsáveis por esse crime bárbaro serão presos e entregues
à Justiça", publicou o governador nas redes sociais.
O Ministério
Público do Ceará informou que acompanha as investigações sobre a morte do
policial. O Procurador-Geral de Justiça, Herbet Santos determinou a criação de
uma força-tarefa integrada de promotores que vão atuar em conjunto em eventuais
procedimentos investigatórios e judiciais relacionados à morte do policial
militar.
“A medida
considera a complexidade do caso, especialmente por envolver um agente
integrante das forças de segurança pública, e tem como objetivo fortalecer a
atuação institucional do Ministério Público, contribuindo para que a apuração
dos fatos ocorra de forma independente, imparcial, célere e rigorosa”, disse a
nota do MP.
A Associação das
Praças Militares do Ceará (Aspra-CE) também divulgou uma nota de pesar pela
morte do agente.
"Neste
momento em que a dor se faz presente, nos solidarizamos com seus familiares,
amigos e irmãos de farda, rogando a Deus que lhes conceda força e conforto para
enfrentar esta perda, com serenidade e fé. Que a certeza de que Raphael cumpriu
sua missão e trilhou sua caminhada com honra e dedicação possa trazer conforto
aos corações daqueles que hoje sentem sua partida", disse um trecho da
nota de pesar.
Corpo
localizado
Foto: Reproduçâo
O corpo de
Raphael Sampaio foi localizado após uma testemunha acionar as forças de
segurança ao avistar um veículo em chamas na região.
O Corpo de
Bombeiros foi ao local, apagou o incêndio no carro e identificou que havia um
corpo no interior do automóvel.
A Perícia
Forense também foi acionada para a ocorrência, assim como a Polícia Militar e a
Polícia Civil. Após os primeiros levantamentos, o corpo da vítima foi recolhido
e carro foi rebocado.
Segundo a
Secretaria da Segurança, a investigação sobre a morte do policial militar está
a cargo da Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP).
Raphael Sampaio
ingressou na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022. Ele estava, atualmente,
lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar (2ºCia/16ºBPM).
"A SSPDS
lamenta profundamente a morte do policial militar e se solidariza com a dor dos
familiares e amigos, ao tempo em que coloca o aparato da instituição à
disposição", disse a Secretaria da Segurança.