domingo, 29 de março de 2026

Triplo homicídio em Rafael Arruda: três homens são mortos a tiros dentro de um estabelecimento comercial

 

Local onde crime aconteceu

Três pessoas foram assassinadas na noite deste sábado (28) no distrito de Rafael Arruda, em Sobral, na região Norte do Ceará. O crime ocorreu dentro de um estabelecimento comercial.

De acordo com as primeiras informações, dois irmãos adultos e um adolescente foram atingidos por disparos de arma de fogo e morreram ainda no local. Uma das vítimas vestia farda do estabelecimento, enquanto as outras duas estavam de camisa e short preto.

Equipes da Polícia Militar foram acionadas e isolaram a área para o início dos trabalhos de investigação. Até o momento, não há informações sobre a motivação do crime ou suspeitos envolvidos.

O caso chama atenção por não ser isolado. Em julho de 2023, dois irmãos e amigo foram assassinados a golpes de faca durante confraternização em Rafael Arruda. Com as mortes deste sábado, sobe para seis o número de pessoas assassinadas em Sobral somente neste mês de março.

A Polícia segue em diligências e o caso deve ser investigado pelas autoridades competentes.


Guarany volta ao Junco e encara o Caucaia neste domingo pela Série B do Cearense

 


De volta ao Estádio do Junco, o Guarany de Sobral entra em campo neste domingo (29), às 17h, para enfrentar o Caucaia, pela 2ª rodada do Campeonato Cearense Série B 2026.

Jogando em casa, o Cacique do Vale busca mais uma batalha importante diante da sua torcida, que promete comparecer em peso. A expectativa é de arquibancadas cheias e clima de decisão no Junco.

Os ingressos estarão disponíveis neste domingo, a partir das 10h, na bilheteria do estádio.
🎟️ Arquibancada: R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia)
🎟️ Geral: R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia)

A arbitragem da partida será comandada por Michele Safatle, com assistência de Jorge Fernando (assistente 1) e Janaina Lima (assistente 2). O quarto árbitro será Francisco Adailton.

A presença do torcedor pode ser fundamental para empurrar o Guarany rumo

sábado, 28 de março de 2026

Capitão Wagner assume presidência da federação União Progressista no Ceará e reafirma aliança de oposição

 


Matéria sobral.com

Capitão Wagner encerrou as especulações sobre o futuro da federação União Progressista no Ceará. Em coletiva realizada na tarde desta sexta-feira (27), ele anunciou que presidirá a federação estadual e confirmou que a aliança permanecerá no campo da oposição.

Ao lado de Roberto Cláudio, Dayany Bittencourt, Felipe Pinho e outros aliados, o Capitão relembrou o processo de filiação do ex-prefeito de Fortaleza após as eleições de 2022. Wagner explicou que a aproximação com Roberto Cláudio ocorreu em meio à crise interna no PDT, resultando no convite para que o ex-prefeito se filiasse ao União Brasil.

Segundo Wagner, o convite foi bem recebido por Roberto Cláudio, mas a condição para sua filiação foi estabelecida após uma reunião com Antonio Rueda, em Brasília. Na ocasião, garantiu-se que o partido manteria sua postura de oposição no Ceará.

Capitão Wagner ao lado de aliados reiterou a convicção de que a atual Federação União Progressista caminharia com a oposição. Ele mencionou um jantar ocorrido em Brasília, na residência do deputado federal Danilo Forte que, à época, integrava o União Brasil, com a presença de dirigentes como ACM Neto, Antonio Rueda e Ciro Nogueira. Naquele encontro, ficou definido que, no Ceará, a federação apoiaria o nome apresentado pelo bloco oposicionista.

Na oportunidade, o Capitão agradeceu a Danilo Forte e Fernanda Pessoa, que se desfiliaram do União Brasil.

Além disso, Wagner teceu críticas a Camilo Santana, atribuindo a ele o pedido para que a vice-governadora Jade Romero gravasse um vídeo anunciando uma suposta filiação à federação. Segundo Wagner, Camilo teria ligado para outros políticos com pedidos semelhantes, incluindo Vitor Valim, que teria negado por considerar a movimentação um "blefe".

Por fim, o Capitão agradeceu a Moses e afirmou que a relação pessoal entre os dois permanece inalterada, expressando o desejo de que ele permaneça no partido. A aliança passa, agora, a caminhar definitivamente com a oposição. De acordo com Wagner, novos filiados devem ser anunciados até o dia 4 de abril, data de encerramento da janela partidária.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Quatro nomes entram na corrida pela presidência da Câmara de Sobral


Por Wellington Bessa - sobral.com

A corrida pela presidência da Câmara de Sobral é real. Moses Rodrigues, líder político do grupo de situação, confirmou ao radialista Adriano Imperador que quatro nomes chegaram até ele sinalizando o interesse em ser o próximo presidente da Casa.

Entre eles estão o atual presidente, Chico Jóia Jr., do União Brasil; o presidente da Comissão de Justiça e Redação, Mário Vicktor; o recém-chegado à Câmara, embora com experiência na vereança, Hermenegildo; e o vereador Sidcley Filho, que se licenciou para assumir a Secretaria de Turismo e Eventos. Todos fazem parte do mesmo grupo político.

Na minha avaliação, Chico Jóia Jr. passa a ter uma posição mais firme diante dos demais, já que conseguiu aprovar a lei que permite a reeleição para a presidência da Câmara, com apoio de todos ou quase todos os vereadores.

O fato é que o grupo de situação costuma acompanhar o que diz sua principal liderança, mas Mário Vicktor e Hermenegildo já deixaram claro que também querem o comando. Sidcley Filho aparece como surpresa: mesmo estando fora da Casa no momento, também demonstra interesse.

É uma disputa interna. Quem acompanha os bastidores da Câmara sabe como esses pré-candidatos se articulam. É uma movimentação interessante de observar.

A oposição, por sua vez, caso Hermenegildo não tivesse voltado à Câmara, poderia caminhar com Mário Vicktor. Mas há quem avalie que Hermenegildo ganhou mais proximidade, principalmente pelo relacionamento construído quando era secretário, independentemente de lado político.

Seguimos acompanhando os próximos passos. A disputa promete.

Farmácia é condenada a pagar R$ 80 mil por assédio moral a supervisora em Sobral

 




Matéria Diário do Nordeste

Juíza considerou que a funcionária era submetida a "acúmulo de funções e a um ambiente de trabalho hostil".

A rede de farmácias Drogasil foi condenada a pagar R$ 80 mil a uma supervisora que foi vítima de assédio moral e desenvolveu burnout em uma sede da empresa no município de Sobral, no Interior do Ceará. A decisão, proferida pela juíza Maria Rafaela de Castro na 1ª Vara do Trabalho de Sobral, foi publicada na última terça-feira (24).

A magistrada considerou provado que a funcionária era submetida a "acúmulo de funções e a um ambiente de trabalho hostil", o que contribuiu para o desenvolvimento de transtornos psíquicos.

Diário do Nordeste solicitou esclarecimentos à farmácia Drogasil sobre o caso. Quando houver retorno, a matéria será atualizada.

Abusos psicológicos

A ação trabalhista descreve que a funcionária foi admitida em 2019 como "atendente II" e promovida a "supervisora de loja" em 2021. A vítima denunciou que, apesar da promoção, continuava cumprindo as funções de atendente. 

"Além da sobrecarga, relatou sofrer perseguições e pressões psicológicas por parte do gerente da unidade, que incluíam gritos e zombarias, além de comentários depreciativos sobre sua aparência", detalha a setença.

A sequência de abusos psicológicos também incluía bullying por parte de colegas de trabalho. A funcionária chegava a esconder sua farda para evitar gatilhos emocionais.

"Em seu depoimento, ela narrou que, ao se aproximar do horário e do local de trabalho, experimentava uma angústia profunda, chegando a chorar antes de entrar na loja. Esse estado psicológico fragilizado transcendeu o ambiente laboral, impactando severamente sua vida pessoal e a relação com seu filho menor de idade, que passou a necessitar de acompanhamento terapêutico", descreve ainda o documento.

Diagnóstico 

A trabalhadora foi diagnosticada com Síndrome de Burnout, depressão e ansiedade. A perícia confirmou a incapacidade laboral parcial e temporária no período avaliado.

Uma testemunha confirmou que a supervisora era uma "funcionária multiuso", permanecendo longas horas no balcão e no caixa. 

Esses motivos embasaram a rescisão indireta, adicional por acúmulo de função, horas extras, danos morais e materiais, além da estabilidade acidentária. A ação foi ajuizada em 28 de julho de 2025. 

Defesa da empresa

A defesa da rede de farmácias alegou que o contrato de trabalho "seguiu estritamente a legalidade". Afirmou ainda que a jornada de trabalho era "fielmente registrada nos cartões de ponto" e que eventuais horas extras "foram pagas ou compensadas".

Negou a existência de acúmulo de função, defendendo que as tarefas eram compatíveis com o cargo de supervisão. Sobre o estado de saúde da ex-funcionária, a empresa rebateu que houve relação entre o trabalho e os transtornos psíquicos apresentados pela supervisora, negando qualquer prática de assédio ou perseguição.

Decisão judicial

A juíza Maria Rafaela de Castro julgou parcialmente procedentes os pedidos, defendendo que o trabalho agravou a doença psíquica preexistente da vítima, tornando a relação "insustentável".

"O dano moral no caso dos autos decorre da violação da integridade física/psíquica do trabalhador (...) A prova oral confirmou os constrangimentos sofridos pela reclamante (...) Diante disso, condeno a ré ao pagamento de danos morais pelo assédio sofrido pela autora no ambiente laboral, seja pelo gerente como por colegas de trabalho, e diante da concausalidade caracterizada", afirmou a magistrada.

A defesa da trabalhadora havia solicitado o valor da causa em R$ 904.715,55.

Ao proferir a sentença, a juíza condenou a empresa ao pagamento de um plus salarial de 20% com reflexos em todas as verbas rescisórias, honorários periciais de R$ 2.800 e honorários advocatícios de 10% sobre o valor líquido da condenação, além de indenização por danos morais fixada em R$ 50 mil, aviso-prévio indenizado, férias acrescidas de um terço, 13º salário proporcional, FGTS com multa de 40%, seguro-desemprego e indenização correspondente ao período de estabilidade acidentária de 12 meses.

A decisão ainda pode ser alterada, pois o processo encontra-se em fase recursal.

Deputado Moses Rodrigues recebe Comenda Monsenhor Vicente Martins em Martinópole

 

O deputado federal Moses Rodrigues foi homenageado na noite desta quinta-feira (26) com a Comenda Monsenhor Vicente Martins, durante solenidade realizada na Câmara Municipal de Martinópole. A honraria faz parte das comemorações pelos 69 anos de emancipação política do município.

A entrega da comenda reconhece personalidades que contribuem com o desenvolvimento da cidade e da região. Durante o evento, lideranças políticas e autoridades locais estiveram presentes.

Em pronunciamento, o parlamentar agradeceu pela homenagem. “Agradeço ao prefeito Betão, à vice-prefeita Raphaele Barros, aos vereadores da Câmara Municipal e ao líder político James Bel pela lembrança e pelo carinho”, destacou.

A cerimônia integrou a programação festiva do aniversário de Martinópole, reunindo representantes da população e reforçando o reconhecimento ao trabalho de lideranças públicas.

 


Justiça reverte punição e Guarany de Sobral volta a ter mando de campo; multa é reduzida

 


Matéria sobral.com
Foto Wellington Bessa

O Guarany de Sobral conseguiu uma importante vitória fora das quatro linhas. O clube obteve decisão favorável no julgamento realizado nesta quinta-feira (26) pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Ceará.

No processo nº 1328/2025, o Tribunal Pleno, por maioria, reformou a decisão anterior, excluindo a pena de perda de mando de campo e reduzindo a multa anteriormente aplicada ao clube.

Com isso, além da liberação para voltar a jogar diante da sua torcida, a multa foi reduzida de R$ 10 mil para R$ 5 mil.

De acordo com a advogada Andrine Lopes, responsável pela defesa, a decisão reconheceu pontos relevantes apresentados no recurso, com base em argumentos técnicos e jurídicos que levaram à revisão da penalidade.

A punição havia sido aplicada em decorrência de uma invasão de campo registrada em 2025, durante partida válida pelo Campeonato Cearense Série C, quando o Guarany enfrentava o Vila Real Futebol Clube. Inicialmente, a penalidade previa a perda de mando de campo para dois jogos em casa e multa.

Com a nova decisão, o clube está liberado para mandar partidas normalmente, incluindo o jogo deste domingo, 29 de março, contra o Caucaia Esporte Clube, no Estádio do Junco, em Sobral, além do próximo compromisso como mandante.

Os ingressos terão os seguintes valores:

  • Arquibancada: R$ 30 (inteira) / R$ 15 (meia)
  • Geral: R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia)

Os pontos de venda ainda não foram divulgados pelo clube, algo que já poderia ter sido informado, já que o jogo está próximo. Ainda não está claro se a questão envolve a federação ou a organização dos ingressos, mas a definição ajudaria o torcedor.

A decisão reforça a possibilidade de revisão de punições na Justiça Desportiva e devolve ao Guarany o direito de atuar com o apoio da sua torcida em um momento importante da competição.

Incêndio em casa é provocado por celular carregando sobre a cama, em Sobral

 


Um incêndio em residência foi registrado na madrugada desta sexta-feira (27), no bairro Campo dos Velhos, em Sobral, nas proximidades da estação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e se deslocaram até o local, mas, ao chegarem, constataram que as chamas já haviam sido controladas por familiares.

De acordo com as informações apuradas, o incêndio teria sido provocado por um celular que estava carregando sobre a cama e entrou em curto-circuito. O fogo atingiu parte do colchão e uma rede, causando danos materiais.

Apesar do susto, ninguém ficou ferido. O Corpo de Bombeiros reforça o alerta para cuidados ao carregar aparelhos eletrônicos, orientando que não sejam deixados sobre superfícies inflamáveis, como camas e sofás.

Vida e morte de Kara Veia: conheça saga trágica do vaqueiro idolatrado por nova geração do forró

 

Matéria exclusiva da coluna Pop & Arte do G1


A voz emotiva do vaqueiro Edvaldo José de Lima dá o tom da própria saga. Kara Veia saiu do interior de Alagoas e viveu um sucesso rápido antes de morrer, em 2004, aos 31 anos. O romantismo trágico das canções e de sua história atraem um culto cada vez maior.

Músicas como "Foi você", "Filho sem sorte" e "Mulher ingrata e fingida" são celebradas no Nordeste e por fãs de forró de vaquejada no resto do Brasil, mesmo que ele seja pouco conhecido fora desse meio.

Kara Veia atingiu picos de busca YouTube em 2021 e 2022. Seu repertório apareceu em megashows do São João desse ano. Ele é tratado como lenda por alguns dos cantores mais ouvidos no Brasil, como João Gomes, Zé Vaqueiro e Tarcísio do Acordeon.

Os fãs famosos ajudam a puxar o "revival" nos últimos anos. No site Sua Música, especializado em música do Nordeste, a audição das músicas dele triplicou de 2019 para 2020, e segue em alta.


"Acho que se Kara Veia estivesse vivo hoje seria um dos maiores ícones da música brasileira. Ele teria levado o forró e a vaquejada para outro nível", arrisca Tarcísio do Acordeon, que estourou ao unir pisadinha com o forró de vaquejada. Em 2021, ele gravou um álbum só com músicas do ídolo.

"Kara Veia é essencial", diz João Gomes. "Se você quer cantar vaquejada e forró, tem que escutar muito Dominguinhos, Luiz Gonzaga, e muito Kara Veia", ensina.

A vaquejada é a prática de dois vaqueiros que, de cima de cavalos, tentam derrubar um boi. É o centro de uma cultura muito ligada à música. A trilha clássica do vaqueiro é a toada. O canto melódico com vogais alongadas ao infinito é filho do aboio, o som que chama a boiada.

Foi nesse universo que nasceu Edvaldo José de Lima, no dia 29 de dezembro de 1973, em Chã Preta. A pequena cidade de Alagoas, na fronteira com Pernambuco, tem hoje sete mil habitantes.

Amor adolescente



Lenilda Félix da Conceição Lima, a Nilda, é viúva e mãe de quatro filhas do Kara Veia. Os dois se conheceram adolescentes em Chã Preta. Ele tinha 14 anos e ela, 13. Ambos trabalhavam em fazendas com os pais.

"Ele tirava leite e eu ajudava meu pai com os cavalos. Com 16 anos eu me casei com ele. Meus pais tiveram que assinar os documentos, porque a gente era muito novo", ela conta.

"Desde os 14 anos ele já cantava e fazia show", ela lembra. "O povo às vezes pagava para ele cantar e ele ia feliz da vida. Ele gostava muito de cantar toadas".

As toadas, nesse caso, são músicas a cappella, sem instrumentos. No primeiro álbum do Kara Veia, gravação amadora em parceria com Carlos Cavalcante, metade das músicas são toadas, só na voz.

Sobre o que ele cantava no primeiro álbum?

"Pé de Umbuzeiro" conta a história da amizade entre um vaqueiro e uma árvore. O umbuzeiro fica triste e morre depois que o vaqueiro para de passar do lado dela, após a construção de uma estrada.

As letras falam de amor ao campo e nostalgia do interior. Ele mistura isso com o desejo romântico, como se o sofrimento geográfico e amoroso fossem a mesma coisa. É o caso de "Sonho colorido". Nilda diz que ele fez a música para ela, ainda em Chã Preta.

Cavalos dominam as letras, mas também aparecem os carros e o desejo de ser "herói da classe vaqueira". "Eu gosto dos meus cavalos, que de mourão é primeira / Um carro novo do ano / Sela e freio, e cortadeira / Sou peão de vaquejada / E herói da classe vaqueira", canta em "Peão de vaquejada".

Filho sem sorte

Kara Veia começou cantando essas toadas em bares e em festas de vaquejada pelo interior. Ele era também locutor de algumas vaquejadas - a forma de narração é outra influência no jeito de cantar.

Seu trabalho principal, de cuidador de cavalos, dava pouco dinheiro. Ele se mudou com Nilda para Maceió. Na capital, trabalhou em um lava jato e como servente de pedreiro, enquanto tentava emplacar na música.

"A gente tinha muita dificuldade", lembra a viúva. "Teve uma época em que a gente não tinha quase nada para comer, e quem ajudava era a mãe dele", ela conta. "A gente morou com ela, eu e as minhas quatro filhas, porque não tinha como pagar aluguel."

A mãe de Kara Veia era diarista. Ela se separou do marido e se mudou para Maceió quando ele era criança - o garoto ficou com o pai em Chã Preta, e só voltou a morar com ela quando também foi para a capital.

Vote em Kara Veia

Ele enfrentava a vida difícil com desembaraço. Nas vaquejadas pelo Nordeste, conheceu muitos políticos locais. Ele não tinha vergonha de chegar para cada um deles e oferecer jingles na época de eleição. Assim, ganhava conexões e uma renda extra.

Ele não tocava nenhum instrumento e fazia as músicas de boca, registrando em fitas cassete. Quem o ajudou a arranjar e transformar essas criações em um projeto de uma toada pros anos 2000 foi o sanfoneiro Sebastião José Ferreira Marcelino, o Xameguinho.

Os dois se conheceram em Maceió e começaram a fazer shows de forma precária. "O."O show era muito baratinho. Nem tinha empresário, ele mesmo que vendia e não podia pagar banda", lembra Chameguinho. O jeito era tocar os dois só com um tecladista. "Depois começou a melhorar."

Kara Veia escutava vaquejada - em especial Vavá Machado, grande referência do estilo -, tinha a bagagem das toadas e ouvia também o sertanejo comercial e forró eletrônico que estavam no auge no meio dos anos 90. Ele processava tudo de forma intuitiva.

 

Hit sem ensaio


"Na maioria das vezes era tudo improvisado", Chameguinho lembra dos shows. "Ele era o primeiro a não gostar de ensaiar." Muitas vezes, Kara Veia puxava uma música e a banda criava o arranjo na hora. "O pessoal achava que a gente estava brincando, mas era verdade", lembra o sanfoneiro.

Fazendo seu nome aos poucos, ele conseguiu gravar um segundo CD amador, com segunda voz de outro cantor, Perreca - que, assim como Carlos Cavalcante, nem chegou a excursionar com ele.

Foi o Kara Veia que escreveu todas as músicas desse disco. Ele arranjou com Xameguinho do jeito que eles sabiam fazer.

"Ele ligou para mim e falou: 'Rapaz, estou aqui no estúdio do Rômulo. Vem para cá gravar." Chameguinho nem conhecia a música e fez o arranjo de "Foi você" ali na hora.

"Foi você" virou o primeiro hit dele no Nordeste, em 2001. Mas o sucesso não vinha estúdio, e sim do fenômeno dos registros de shows em CD-R os disquinhos graváveis populares no início dos anos 2000. Foi aí que o impacto dele no palco fez diferença e ajudou a criar o mito do Kara Veia.

"O pessoal fazia capinha de papelão, ia gravando os CDs na torre, quando saia pegava caneta, botava 'Kara Veia na cidade tal' e vendia como água", lembra Wagner Accioly, que trabalhou como operador de áudio dele durante quatro anos.

'Dançarinas de canela fina'

Ele conseguia roubar holofotes de artistas com bem mais estrutura, lembra Wagner. "Ele dizia: 'Rapaz a gente sobe no palco com quatro músicos, três dançarinas da canela fina e o povo gosta. Aí vem Calcinha Preta com mais de trinta homens, e o povo fica gritando pela gente."

Chameguinho lembra de um festival em Pirambu (SE), que também tinha Calcinha Preta e Amado Batista. "A gente não tinha ônibus, andava só de van. Os caras tinham vários ônibus. A gente entrou, aqueles quatro gatos pingados, e a galera foi ao delírio, foi madeira", ele diz.

O nome artístico do Edvaldo era um apelido de infância. Era uma brincadeira dos amigos, que Xameguinho cita ao falar das desvantagens em relação a bandas maiores.

O drama do disco solo


O álbum “Kara Veia - a cara metade das vaquejadas” foi o grande registro da carreira dele. A gravação foi no estúdio Somax, no Recife, com distribuição pela Polydisc.

Ele regravou "Foi você" com ritmo ainda mais veloz. E fez outras versões com sua voz que levou as nuances da toada para pra esse formato de xote acelerado. O título de uma das das versões que marcou o álbum dá o tom do drama nas letras: “Mulher ingrata e fingida”.

A intensidade não estava só na música. O jeito de viver era tão caótico quanto o de trabalhar. Ele ainda estava casado com a Nilda, mas, quanto mais viajava para tocar, mais amantes arrumava. Ele vivia parte do tempo em Maceió com outra mulher, com quem teve uma filha.

Enquanto realizava o sonho de gravar em um estúdio de ponta, ele estava enrolado com os casos amorosos. Segundo os relatos de Xameguinho, é difícil saber se tinha mais drama nas letras ou fora do estúdio. Ele tinha crises de ciúmes a distância, ligando para várias mulheres.

Kara Veia gastou todo o dinheiro que tinha em cartões de crédito para celular. "Quando as mulheres não atendiam, ele ficava doido", lembra o amigo. "O dono do estúdio até falou: 'Kara Veia, vamos ver se no próximo trabalho a gente faz com mais calma, sem ficar ligando para as mulheres."

A morte de Kara Veia

Xameguinho conta que, depois da gravação do álbum, ele desapareceu e um dia em que deveria fazer um show na Bahia. Depois de um dia com todo mundo tentando encontrá-lo, ele conseguiu ligar para um telefone público em Chã Preta, e um vizinho achou Kara Veia.

"Eu perguntei: 'O que está acontecendo, pelo amor de Deus? Você está com algum problema?' Ele disse que não tinha problema, que não foi para o show porque tinha passado o dia na mata. Eu não sei se ele estava com depressão, ou se alguém queria pegar ele. Só quem sabe era ele ", diz Chameguinho.

A esposa sabia que o marido tinha um filho fora do casamento e se envolvia com outras mulheres. Ela diz que ele também estava com dificuldades financeiras. "Ele ganhou muito dinheiro, mas também gastava demais, sem necessidade." Ela afirma que ele estava devendo R$ 10 mil quando morreu.

Nilda diz que, no dia da morte, Kara Veia tinha passado o dia em Chã Preta, que ele tomou uísque, e quando voltou para Maceió, passou na casa dela e pegou um revólver que tinha lá. "Daí eu não vi mais. Eu só vi no caixão", diz a viúva.

Ele levou a arma até o apartamento da amante em Maceió. O pai de Kara Veia estava lá, e disse à polícia que o cantor pediu para ele descer para a garagem do prédio, e que, quando ele voltou, o filho estava morto com um tiro. Kara Veia se matou aos 31 anos, no dia 27 de março de 2004.

A amante disse à polícia na época que ele tinha dificuldades financeiras, que ele brigava muito com ela e era muito ciumento, o que condiz com os outros relatos nesta reportagem.

O retrato que fica é de um cantor que soube cantar o amor de forma original na música, mas não sabia lidar com estas relações amorosas na vida real.

Nilda lamenta: "Quem mais sofreu foi ele. Ele sofreu muito para chegar onde chegou". Mesmo sabendo dos casos do marido, ela afirma: "Eu perdoei ele. Peço que Deus bote a alma dele em um bom lugar".

O legado do vaqueiro

Com uma carreira em ascensão interrompida, o legado musical ficou em aberto. A banda pernambucana Arreio de Ouro fez uma música chamada “Homenagem ao Kara Veia”, até hoje lembrada quando se fala no cantor.

Quem mais cresceu nesse vácuo da vaquejada foi o alagoano Mano Walter. Ele foi atrás da equipe do Kara Veia depois que ele morreu para tentar contratá-los. Eles chegaram a tocar com ele, mas o novo patrão fazia uma exigência inaceitável: ensaiar antes dos shows.

"Ele levou Chameguinho, o guitarrista, o baixista. Mas a galera não se deu muito bem. Porque com Kara Veia eles eram soltos. O Mano Walter tinha uma visão mais profissional, e a galera gostava de 'tomar uma' nos shows. Então ficaram pouco tempo", explica Wagner.

Kara Veia foi sepultado por uma multidão em Chã Preta, e depois ganhou uma praça com seu nome na cidade. Os seguidores mais dedicados fazem vídeos na praça, no túmulo e até no apartamento em Maceió onde ele morreu.

Um desses fãs é Romário Barros, engenheiro de 27 anos, dono de um canal no YouTube dedicado ao cantor. "Eu criei em 2016, quando não tinha nenhum canal em homenagem a ele. Foi crescendo, e hoje temos mais de 130 mil inscritos. Sempre que posto algo é incrível o carinho das pessoas."


quinta-feira, 26 de março de 2026

TSE oficializa Federação União Progressistas sob comando de Antônio Rueda

 

Foto: Progressistas 

Matéria sobral.com

A Federação União Progressista se consolida após autorização do TSE, que formaliza o registro das agremiações União Brasil e Progressistas, na manhã desta quinta-feira (26). Com a fusão dos dois partidos, a presidência nacional fica sob comando de Antônio Rueda.

O registro foi autorizado dentro do prazo previsto pelo TSE, que recomenda a formalização das federações até seis meses antes do pleito, que será realizado no dia 4 de outubro.

Por meio de nota publicada, a nova federação destaca que o objetivo da aliança é “fortalecer a governabilidade, ampliar a representatividade política e apresentar ao país uma agenda comum voltada ao desenvolvimento econômico, à estabilidade institucional, à disciplina fiscal e ao fortalecimento da democracia".

A aliança passa agora a ter a maior bancada do Congresso Nacional. Contudo, enfrenta disputas e divergências regionais em cada estado. No Ceará, o comando estadual está sob direção do Capitão Wagner, que faz oposição ao PT no estado.

A presidência da federação no Ceará é disputada com outra ala, liderada por Moses Rodrigues e aliados, que defendem apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas. Essa disputa será o primeiro desafio de Rueda para resolver como presidente nacional da federação.

A partir da definição da presidência da aliança no Ceará, será definido também de que lado o União Progressista ficará: na base ou na oposição.

Ceará entrega 100 novas viaturas à PM, e Sobral será reforçada com 16 veículos, afirma coronel

 

Foto: Ulysses Sousa


Matéria: Sobral Ponto Com

O Governo do Ceará entregou, nesta quinta-feira (26), 100 novas viaturas para reforçar a atuação da Polícia Militar em todo o estado. A solenidade aconteceu em Fortaleza e contou com a presença do governador Elmano de Freitas, do prefeito Evandro Leitão e de autoridades da cúpula da Segurança Pública.

Do total de veículos, 29 contam com blindagem, garantindo maior proteção aos agentes durante as operações. A nova frota será distribuída em 37 municípios cearenses.

Em Sobral, 16 viaturas devem reforçar o policiamento. Os veículos chegaram na tarde desta quinta-feira (26) e já começam a atuar nas rondas pela cidade, ampliando a presença policial e a capacidade de resposta às ocorrências.

De acordo com o tenente-coronel Rodrigues, comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar, parte das viaturas também será destinada a municípios que integram a área do batalhão.

“Algumas dessas viaturas devem reforçar outras cidades que compõem o 3º Batalhão, além do Policiamento Ostensivo Geral (POG). Sobral conta ainda com o apoio do CPRAIO, COTAR e COPAC”, destacou o comandante.

A chegada dos novos veículos representa um reforço importante na estrutura da segurança pública da região Norte e deve contribuir para intensificar as ações preventivas e ostensivas da Polícia Militar.


Câmara de Sobral aprova lei que impede nomeação de condenados pela Lei Maria da Penha em cargos municipais

 

Foto: Wellington Bessa

Matéria sobral.com

A cidade de Sobral avança na efetividade das ações de combate ao feminicídio. A Câmara Municipal aprovou, nesta terça-feira (24), o Projeto de Lei 020/2026, que impede que pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha assumam cargos públicos municipais, seja por livre nomeação ou aprovação em concurso.

A iniciativa é de autoria da vereadora Pâmela Nara (Podemos). De acordo com a parlamentar, o objetivo é ampliar os mecanismos de combate à violência contra a mulher e garantir a eficácia dos discursos de proteção aos direitos, igualdade e integridade feminina.

Essa medida já havia sido apresentada ao Legislativo em 2025, mas acabou arquivada após a Comissão de Justiça, Finanças e Redação opinar que a matéria era de competência federal. Após revisão, foi acrescentado um parecer com jurisprudência favorável a esse tipo de matéria em âmbito local e, com a nova justificativa, o projeto foi reapresentado à Casa.

O texto foi aprovado em duas votações na mesma data em que ocorreu uma sessão especial em homenagem às mulheres. Após a aprovação, a matéria segue para sanção do prefeito de Sobral e passará a vigorar a partir da data de sua publicação no Diário Oficial.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Em 2 de janeiro de 1884, Sobral marcou seu lugar na história da abolição

 


Matéria Wellington Bessa - sobral.com

Sobral teve papel de destaque no processo de abolição da escravidão no Ceará, sendo uma das cidades pioneiras na libertação de pessoas escravizadas. Registros históricos apontam que o município já contava com alforrias consolidadas antes mesmo da abolição oficial no estado, ocorrida em 25 de março de 1884.

No dia 2 de janeiro de 1884, Sobral aparece entre as cidades que formalizaram a libertação, embora já houvesse registros anteriores de emancipação, como em 19 de dezembro de 1883. Esse protagonismo coloca o município entre os que anteciparam o fim da escravidão, reforçando sua relevância no contexto histórico cearense.

A luta abolicionista em Sobral também contou com nomes importantes, como Maria Tomásia Figueira Lima (1826–1902). Natural da cidade, ela foi cofundadora e primeira presidente da Sociedade das Cearenses Libertadoras, criada em 1882. Formada por mulheres de famílias influentes, a entidade atuou diretamente na articulação de cartas de alforria e na mobilização pela liberdade de dezenas de pessoas escravizadas já em suas primeiras reuniões.

O movimento abolicionista se espalhou por diversas cidades cearenses ao longo de 1883, com libertações acontecendo em localidades como Acarape (hoje Redenção), Fortaleza, Icó, Baturité e Viçosa, entre outras. Esse avanço culminou na abolição total da escravidão no Ceará em 25 de março de 1884, durante a presidência da província por Sátiro Dias, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea no Brasil.

Ao todo, cerca de 32 mil pessoas foram libertadas no estado. O feito histórico consolidou o Ceará como pioneiro no país e teve em cidades como Sobral um dos seus principais pilares.

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