O período chuvoso, que se estende de fevereiro a
maio no Ceará, traz consigo um aumento da circulação de vírus respiratórios e
da procura por atendimento médico. Em Sobral e região, os casos de síndromes
gripais e outras infecções respiratórias têm levado mais pacientes à emergência
do Hospital Regional Norte (HRN), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará
(Sesa). Diante desse cenário, é fundamental que a população saiba identificar
os sinais de gravidade que realmente exigem atendimento hospitalar, garantindo
que os casos mais urgentes recebam assistência com prioridade.
De acordo com o coordenador médico da emergência do
HRN, Artur Sávio Dias Almeida Liberato, alguns sintomas indicam a necessidade
de buscar atendimento hospitalar imediato. “É importante procurar atendimento
com urgência quando houver falta de ar, respiração muito acelerada ou com
esforço, lábios arroxeados, febre alta persistente, rebaixamento do estado
geral, confusão mental, dor no peito, dificuldade para beber líquidos, sinais
de desidratação, sonolência excessiva ou piora importante dos sintomas”,
explica.
Nas crianças, também devem ser observados sinais
como dificuldade para mamar, recusa alimentar, prostração, redução do volume
urinário e esforço para respirar. Segundo o médico, esses sintomas podem
indicar quadros mais graves e precisam de avaliação imediata.
Grupos que exigem maior atenção
Algumas pessoas têm maior risco de complicações em
casos de doenças respiratórias e devem redobrar a atenção aos sintomas. Entre
os grupos mais vulneráveis estão idosos, crianças pequenas, especialmente
menores de dois anos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, especialmente
pulmonares, cardíacas, renais ou metabólicas, além de pacientes
imunossuprimidos.
“Esses pacientes podem apresentar piora mais rápida
do quadro e devem buscar avaliação médica precocemente, principalmente se
houver febre persistente, cansaço importante ou dificuldade para respirar”,
ressalta o médico.
Nem todos os sintomas respiratórios exigem
atendimento hospitalar. Em muitos casos, o acompanhamento pode ser feito
inicialmente nas unidades básicas de saúde. De acordo com o especialista,
sintomas leves como coriza, tosse, dor de garganta, febre baixa e mal-estar,
sem falta de ar ou outros sinais de gravidade, podem ser avaliados inicialmente
na atenção primária.
“A atenção básica tem papel fundamental no
acolhimento, avaliação inicial e acompanhamento desses quadros leves. Isso
ajuda a evitar a sobrecarga dos hospitais, que devem priorizar os casos
moderados e graves, especialmente em períodos de maior lotação”, destaca.
HRN é referência para urgência e emergência na
região norte
O HRN atende casos clínicos e cirúrgicos de adultos,
além de emergências pediátricas de maior gravidade, como acidentes e traumas,
envolvendo crianças e adolescentes de até 13 anos, 11 meses e 29 dias.
Para garantir segurança e agilidade no atendimento,
os pacientes passam inicialmente por uma avaliação realizada por um enfermeiro,
que aplica a classificação de risco utilizando o Protocolo de Manchester.
O método utiliza cinco cores para definir a
prioridade de atendimento: vermelho, para emergência com atendimento imediato;
laranja e amarelo, para casos urgentes que podem aguardar por curto período; e
verde e azul, para situações menos graves, que podem aguardar mais tempo ou ser
encaminhadas para outros serviços de saúde. Esse sistema permite que pacientes
em situação mais crítica sejam atendidos com prioridade.
Durante o período chuvoso, é comum o aumento de
atendimentos relacionados a infecções respiratórias. Segundo Artur Sávio, entre
os casos mais frequentes estão síndromes gripais, resfriados, influenza,
covid-19, bronquiolite em crianças, crises de asma, exacerbações de doença
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e pneumonia. “Essas doenças costumam
circular com mais intensidade nesse período e, em alguns casos, podem evoluir
com maior gravidade, especialmente em pacientes mais vulneráveis”, explica.
Cuidados
Alguns cuidados simples podem ajudar a reduzir a
transmissão de vírus respiratórios. Entre as principais recomendações estão manter
a vacinação em dia, higienizar as mãos com frequência, evitar levar as mãos ao
rosto, cobrir com o antebraço nariz e boca ao tossir ou espirrar e manter
ambientes ventilados. Também é importante evitar contato próximo com outras
pessoas quando estiver com sintomas gripais e não utilizar medicamentos sem
orientação profissional.
Com informação e cuidados básicos, é possível
prevenir complicações e contribuir para que os serviços de emergência estejam
disponíveis para atender aos casos que realmente necessitam de atenção
hospitalar.