Matéria CNN Brasil
O governo federal manifestou, em comunicado
divulgado nesta terça-feira (2), "indignação" com a recomendação do
USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) de imposição de tarifas de
25% sobre todas as importações do Brasil.
O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos)
propôs, em documento divulgado na noite de segunda-feira (1°), a aplicação de novas tarifas de 25% sobre todas as importações
brasileiras.
A proposta de taxação dos EUA considera como motivação
atos, políticas e práticas do governo brasileiro relevantes e "passíveis
de medidas legais", suscetíveis de serem investigados por meio da Seção
301, da Lei do Comércio de 1974.
No documento divulgado, o favorecimento do Pix,
acordos de comércio preferenciais, etanol, desmatamento, entre outras questões,
estão entre os tópicos citados pelos Estados Unidos como motivo para a
recomendação de imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do
Brasil.
Segundo a nota do governo brasileiro, a investigação
contra "alegadas práticas comerciais desleais do Brasil" e,
consequentemente, a aplicação de novas tarifas está associada a atuação da
família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos. O documento
afirma que a viagem do senador Flávio Bolsonaro à Washington para encontrar o
presidente estadunidense, Donald Trump, na última semana, teve impacto direto
na medida.
"Essa investigação teve início em 15 de julho
de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de
ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do
senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o
auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar
contra os interesses nacionais", declara.
Ainda de acordo com a declaração, as tarifas possuem
motivação política e têm sido aplicadas para "impor danos à economia
nacional e à geração de emprego e renda".
"O principal efeito das tarifas unilaterais,
politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à
economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos
EUA como nosso parceiro comercial", declara o governo brasileiro.
A expectativa do Governo é de que as recomendações
da USTR não se convertam em tarifas efetivas. Entretanto, serão tomadas todas e
quaisquer medidas capazes de "reduzir os danos que venham a ser causados à
economia, aos empregos e à renda dos brasileiros".
Leia na íntegra a nota
"Governo brasileiro manifesta
indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa
à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do
Brasil.
Essa investigação teve início em 15 de
julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa
de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do
senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o
auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar
contra os interesses nacionais.
Não havia e não há justificativa para
essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros
como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo
estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5
bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos
(2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o
Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a
US$ 40,52 bilhões.
Em 2025, 76% das importações originárias
dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos
dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram
tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e
carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no
Brasil foi de apenas 3,1%.
O principal efeito das tarifas
unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor
danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o
papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a
participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série
histórica ao somar 9,4%.
Conforme acordado pelos Presidentes Lula
e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso
negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem
no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem
imposição de medidas contra o Brasil. O Governo brasileiro também dará
continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo.
O Brasil se reserva o direito de
recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por
unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça
contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional.
O Governo reafirma a expectativa de que
as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará
toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à
economia, aos empregos e à renda dos brasileiros.
É preciso estar atento aos traidores da
pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo
brasileiro."