Autorização foi dada para uso hospitalar em
pacientes internados
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
anunciou ontem (12) a aprovação do rendesivir para tratamento da covid-19. Este
é o primeiro remédio aprovado para uso contra o novo coronavírus. A autorização
foi dada apenas para uso hospitalar e para pacientes com mais de 12 anos, com
quadro de pneumonia e que precisam de oxigênio. Estudos com o fármaco mostraram
recuperação mais rápida dos pacientes internados.![]()
![]()
Com nome registrado de Veklury, o remédio é
produzido pelo laboratório Gilead e é um antiviral desenvolvido para vírus como
Ebola, mas que passou a ser considerado para o tratamento da covid-19.
Segundo a Anvisa, o remédio já foi autorizado por
autoridades sanitárias em mais de 20 países, entre eles, Argentina, Estados
Unidos, Índia, Israel, Japão, Rússia, Coreia do Sul e Canadá, além
de ter recebido a permissão da agência europeia.
Entre fevereiro e maio de 2020, foram realizados
estudos clínicos (nas fases 1, 2 e 3) com 6.283 pacientes, entre homens e
mulheres com infecção pelo novo coronavírus comprovada por exames
laboratoriais. Os testes clínicos foram realizados em 10 países, não no Brasil.
No estudo, os participantes que receberam o remédio
tiveram um tempo de recuperação menor, de dez dias, contra 15 dias
daqueles que não receberam a substância. Os eventos adversos não foram maiores
no grupo que recebeu o rendesivir do que entre os que não tiveram o remédio
aplicado.
Segundo a Anvisa, os estudos demonstram que “o
tratamento com rendesivir pode prevenir uma progressão da doença causada pelo
coronavírus de 2019 (COVID-19) em adultos e adolescentes (com idade igual ou
superior a 12 anos e com peso corporal de, pelo menos, 40 kg) com pneumonia que
requerem administração suplementar de oxigênio (oxigênio de baixo ou alto
fluxo, ou outra ventilação não invasiva no início do tratamento), como
demonstrado nos estudos, através do menor tempo de recuperação no grupo
rendesivir”.
O tratamento deve ser realizado por, pelo menos,
cinco dias e não mais do que dez. Para obter êxito, o remédio
deve ter aplicação inicial de 200g no primeiro dia e outras doses de
100 mg nos dias seguintes. A forma de aplicação é intravenosa.
Polêmica e OMS
Em novembro de 2020, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) publicou uma recomendação contra o uso do rendesivir para o tratamento da
covid-19. O comunicado foi emitido a partir da avaliação de que não havia
evidências da eficácia do remédio no tratamento da doença.
A posição foi feita por um grupo internacional de
desenvolvimento de diretrizes, com médicos e outros profissionais da saúde. O
grupo analisou quatro estudos que envolveram o impacto do rendesivir em 7 mil
pacientes.
Apesar da recomendação contrária da OMS, a Anvisa esclareceu que avaliou aspectos diferentes ao
liberar o medicamento no Brasil. Além disso, a situação crítica da pandemia no
país e o colapso do sistema de saúde em vários lugares contaram para a
avaliação.
"O estudo da OMS avaliou mais a ocorrência de
mortalidade e pacientes com perfil um pouco diferente dos avaliados nos outros
estudos que consideramos para liberar o remédio. O estudo que consideramos
válido focou na redução do tempo de hospitalização dos pacientes e vimos
que houve uma redução na hospitalização”, disse a gerente de
avaliação de segurança e eficácia da Anvisa, Renata Soares.
Via Agência Brasil





0 comentários:
Postar um comentário