A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco,
adiantou nesta quinta-feira (16) que o governo anunciará novas medidas de
combate à desigualdade racial no próximo dia 21 de março, quando a criação da
Secretaria de Políticas de Promoção para a Igualdade Racial (Seppir) completará
20 anos. A secretaria foi criada no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio
Lula Silva, em 2003, após demanda histórica do movimento negro.![]()
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Anielle Franco ministrou aula inaugural do semestre
letivo na Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz), na
tarde desta quinta-feira, no campus da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em
Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro.
Segundo a ministra, no próximo dia 21 haverá uma
comemoração no Palácio do Planalto em que serão anunciadas medidas para
aumentar a presença de mulheres negras no serviço público federal; será
instituída uma coordenação de saúde da população negra junto ao Ministério da
Saúde e também serão tituladas seis terras de povos quilombolas que aguardam a
regularização há mais de 20 anos.
“É um processo muito longo a titulação das terras
quilombolas. É um processo que vai e volta, e as famílias estão se perdendo. A
ancestralidade está lá, mas as terras estão indo embora. A memória dessas
mulheres negras e desse povo está indo embora, porque não titula”, disse a
ministra.
Além de titulações e indenizações, a ministra
prometeu ações de educação e cultura ainda junto a comunidades quilombolas nos
primeiros 100 dias do governo, e lembrou que esse é um pedido do presidente
Lula.
O ministério também anunciará, em parceria com as
pastas do Esporte e da Justiça, a criação de um Grupo de Trabalho de Combate ao
Racismo nos Esportes. “É inadmissível o que o Vini Jr. está passando na
Espanha, mas o que todo mundo passa aqui também, e a gente sabe como é”.
Marielle
Em discurso a alunos, professores e servidores da
ENSP/Fiocruz, a ministra Anielle Franco relembrou os primeiros momentos após o
assassinato de sua irmã, a vereadora Marielle Franco, que completou 5 anos na
terça-feira (14).
“A gente não pode esquecer que a Mari foi vítima de
um feminicídio político”, disse a ministra. “Eu jamais vou perdoar. Nunca vou
perdoar terem olhado para aquela mulher discursando e não terem nunca pensado
em ter uma segurança pra ela. Nunca na minha vida eu vou aceitar isso”.
Anielle Franco afirmou que somente após um crime
cruel como esse houve a noção de que mulheres negras na política também
deveriam ter segurança. Ela reforçou que essas mulheres são vítimas de
violência política há anos, e que estudos conduzidos pelo Instituto Marielle
Franco em 2020 e 2021 mostraram que esses casos são recorrentes.
“A Marielle precisou morrer, ser assassinada do
jeito que foi, cruelmente, para que outras pessoas ganhassem segurança privada,
carro blindado e tivessem a noção de que as políticas mulheres negras precisam
de segurança também, além dos homens brancos”.
A ministra também lembrou o momento em que foi
convidada pelo presidente Lula para estar à frente da pasta da Igualdade Racial
e disse que conversou com outras mulheres negras que são referência em sua
vida, como a deputada Benedita da Silva e as ativistas Lúcia Xavier e Jurema
Werneck, assim que recebeu a proposta.
“Eu não quero entregar só simbologia. Eu tenho
orgulho de ser irmã dela. Mas eu tenho que entregar trabalho”, disse.
No dia a dia em Brasília, a ministra disse que ainda
é atacada, especialmente no Congresso Nacional, onde outras políticas negras
também sofrem ofensas.
“Nenhuma Câmara, nem em Brasília nem em nenhum
lugar, é historicamente desenhada para mulheres. A Talíria [Petroni, deputada
federal] foi lá com filho no colo e não tinha um lugar para trocar a fralda do
menino. Não é desenhado pra gente. A Erika Hilton [travesti, deputada federal]
estava lá, lindíssima, mas o tempo inteiro que ela passa e as pessoas afrontam
chamando ela de coisas horrorosas. Se eu entro, porque o Executivo tem que
construir com o Legislativo e vice-versa, eu sou atacada. Não vai ser fácil a
gente reconstruir”, disse.
Agência Estado





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