Postura de pré-candidato antecipa a
disputa pelo Governo do Ceará em 2026
Ciro Gomes finalmente entrou no jogo. Pela primeira
vez, se comporta de forma clara como pré-candidato ao Governo do Ceará. Não é
mais especulação, nem conversa de bastidor. É movimento político concreto.
O sinal mais evidente veio no primeiro café com a oposição,
realizado no gabinete do deputado estadual Felipe Mota, na Assembleia
Legislativa do Ceará (Alece). Estavam à mesa Ciro Gomes, Roberto Cláudio,
Capitão Wagner e o deputado federal Danilo Forte. O encontro teve peso
simbólico e político: mostrou unidade e indicou que há um projeto sendo
construído pela oposição, com Ciro no centro das decisões.
Ciro já demonstra aceitar aquilo que aliados repetem
há meses: hoje, ele é o nome mais forte da oposição. Seja pelo apoio que vem se
consolidando entre lideranças políticas, seja pela receptividade popular que
seu discurso começa a recuperar entre os cearenses.
Durante o encontro, Ciro chegou a falar sobre a
possibilidade de uma chapa majoritária formada por ele, Capitão Wagner e
Roberto Cláudio. Também foi discutido o início de uma agenda de mobilização
política pelo interior do estado. Traduzindo: a pré-campanha saiu do papel.
Nos bastidores, já é praticamente consenso entre
aliados que Ciro será o candidato. Isso muda o tabuleiro político do Ceará.
Antes, o crescimento do seu nome aparecia apenas nas pesquisas. Agora, com
articulação política, presença pública e discurso alinhado, esse crescimento
pode ganhar corpo e, sim, ameaçar a reeleição do governador Elmano de Freitas.
Para Ciro, o apoio do PL e do União Brasil é
estratégico. O PSDB precisa dessas alianças para garantir tempo de rádio e TV,
estrutura de campanha e acesso ao fundo eleitoral. As conversas com o PL seguem
em andamento. Ciro prefere cautela, mas aliados já tratam o apoio como
praticamente certo.
O União Brasil vive um impasse nacional. A legenda
aguarda uma definição do comando nacional sobre sua posição nos estados. No
Ceará, o partido está dividido. Ciro espera uma posição do presidente nacional,
Antonio Rueda, mas já conta com apoios importantes no estado, como Danilo
Forte, Capitão Wagner e Dayany Bittencourt. Por outro lado, nomes como Moses
Rodrigues e Fernanda Pessoa já declararam apoio à reeleição de Elmano.
Do lado governista, o PT aposta na força da máquina
estadual, no apoio já consolidado de Cid Gomes e no peso nacional do presidente
Lula. Além disso, o partido trabalha nos bastidores para atrair o União Brasil,
numa tentativa clara de esvaziar a oposição.
Ciro foi cuidadoso ao citar o nome de Cid Gomes e
não demonstrou qualquer interesse em reaproximação. O recado é direto: não há
diálogo político entre os irmãos neste momento.
Ao assumir o protagonismo, Ciro também deixou claro
que, caso seja o cabeça de chapa, a vaga de vice ficará com o União Brasil, que
poderá indicar Capitão Wagner ou Roberto Cláudio, recém-filiado ao partido. Ele
puxou a responsabilidade para si e passou a comandar a montagem da chapa
oposicionista.
Diante desse cenário, já não dá mais para Elmano,
Camilo ou o PT tratarem eleição como assunto só para março. A pré-campanha
começou. Ou o PT mostra liderança, discute alianças, cenários e projetos, ou o
movimento liderado por Ciro tende a crescer, ganhando mais adesão popular,
especialmente por apostar em presença nas ruas e proximidade com o eleitor.
O PT precisa entender que confiar apenas na
militância, no capital político de Lula ou no nome de Camilo pode pesar, mas
não decide sozinho uma eleição. O cenário é outro. Não se trata mais de
enfrentar um bolsonarista raiz, mas um político experiente, que conhece o Ceará,
já governou o estado, teve aprovação e volta com um discurso duro, sobretudo no
combate à violência e ao que chama de “ditadura da corrupção”.
O eleitor cearense conhece Ciro Gomes. E começa, aos
poucos, a se reconectar com essa narrativa.
Enquanto isso, PL e União Brasil passam a depender
cada vez mais de Ciro para enfrentar o PT no Ceará. Os interesses se alinham, e
o nome mais competitivo da oposição, hoje, é o dele.
Camilo, Elmano e Cid precisam sair do jogo
silencioso e falar claramente com a sociedade. A articulação interna segue, mas
o eleitor quer saber se há projeto para o Ceará ou apenas conversa de gabinete.
O jogo começou. As peças já estão em movimento. E a
próxima pesquisa de intenção de votos deve mostrar se esse novo momento de Ciro
Gomes já começou a fazer efeito.






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