domingo, 18 de janeiro de 2026

Ciro sai do bastidor e assume o comando da oposição

 

 

Postura de pré-candidato antecipa a disputa pelo Governo do Ceará em 2026

Ciro Gomes finalmente entrou no jogo. Pela primeira vez, se comporta de forma clara como pré-candidato ao Governo do Ceará. Não é mais especulação, nem conversa de bastidor. É movimento político concreto.

O sinal mais evidente veio no primeiro café com a oposição, realizado no gabinete do deputado estadual Felipe Mota, na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). Estavam à mesa Ciro Gomes, Roberto Cláudio, Capitão Wagner e o deputado federal Danilo Forte. O encontro teve peso simbólico e político: mostrou unidade e indicou que há um projeto sendo construído pela oposição, com Ciro no centro das decisões.

Ciro já demonstra aceitar aquilo que aliados repetem há meses: hoje, ele é o nome mais forte da oposição. Seja pelo apoio que vem se consolidando entre lideranças políticas, seja pela receptividade popular que seu discurso começa a recuperar entre os cearenses.

Durante o encontro, Ciro chegou a falar sobre a possibilidade de uma chapa majoritária formada por ele, Capitão Wagner e Roberto Cláudio. Também foi discutido o início de uma agenda de mobilização política pelo interior do estado. Traduzindo: a pré-campanha saiu do papel.

Nos bastidores, já é praticamente consenso entre aliados que Ciro será o candidato. Isso muda o tabuleiro político do Ceará. Antes, o crescimento do seu nome aparecia apenas nas pesquisas. Agora, com articulação política, presença pública e discurso alinhado, esse crescimento pode ganhar corpo e, sim, ameaçar a reeleição do governador Elmano de Freitas.

Para Ciro, o apoio do PL e do União Brasil é estratégico. O PSDB precisa dessas alianças para garantir tempo de rádio e TV, estrutura de campanha e acesso ao fundo eleitoral. As conversas com o PL seguem em andamento. Ciro prefere cautela, mas aliados já tratam o apoio como praticamente certo.

O União Brasil vive um impasse nacional. A legenda aguarda uma definição do comando nacional sobre sua posição nos estados. No Ceará, o partido está dividido. Ciro espera uma posição do presidente nacional, Antonio Rueda, mas já conta com apoios importantes no estado, como Danilo Forte, Capitão Wagner e Dayany Bittencourt. Por outro lado, nomes como Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa já declararam apoio à reeleição de Elmano.

Do lado governista, o PT aposta na força da máquina estadual, no apoio já consolidado de Cid Gomes e no peso nacional do presidente Lula. Além disso, o partido trabalha nos bastidores para atrair o União Brasil, numa tentativa clara de esvaziar a oposição.

Ciro foi cuidadoso ao citar o nome de Cid Gomes e não demonstrou qualquer interesse em reaproximação. O recado é direto: não há diálogo político entre os irmãos neste momento.

Ao assumir o protagonismo, Ciro também deixou claro que, caso seja o cabeça de chapa, a vaga de vice ficará com o União Brasil, que poderá indicar Capitão Wagner ou Roberto Cláudio, recém-filiado ao partido. Ele puxou a responsabilidade para si e passou a comandar a montagem da chapa oposicionista.

Diante desse cenário, já não dá mais para Elmano, Camilo ou o PT tratarem eleição como assunto só para março. A pré-campanha começou. Ou o PT mostra liderança, discute alianças, cenários e projetos, ou o movimento liderado por Ciro tende a crescer, ganhando mais adesão popular, especialmente por apostar em presença nas ruas e proximidade com o eleitor.

O PT precisa entender que confiar apenas na militância, no capital político de Lula ou no nome de Camilo pode pesar, mas não decide sozinho uma eleição. O cenário é outro. Não se trata mais de enfrentar um bolsonarista raiz, mas um político experiente, que conhece o Ceará, já governou o estado, teve aprovação e volta com um discurso duro, sobretudo no combate à violência e ao que chama de “ditadura da corrupção”.

O eleitor cearense conhece Ciro Gomes. E começa, aos poucos, a se reconectar com essa narrativa.

Enquanto isso, PL e União Brasil passam a depender cada vez mais de Ciro para enfrentar o PT no Ceará. Os interesses se alinham, e o nome mais competitivo da oposição, hoje, é o dele.

Camilo, Elmano e Cid precisam sair do jogo silencioso e falar claramente com a sociedade. A articulação interna segue, mas o eleitor quer saber se há projeto para o Ceará ou apenas conversa de gabinete.

O jogo começou. As peças já estão em movimento. E a próxima pesquisa de intenção de votos deve mostrar se esse novo momento de Ciro Gomes já começou a fazer efeito.

0 comentários:

Postar um comentário