terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Em tom de pré-campanha, Ciro defende policiais e aposta na segurança pública para 2026

 


A segurança pública será a principal pauta do antipetismo que a oposição deve adotar para enfrentar a hegemonia petista nas eleições de 2026, seguida pelo discurso anticorrupção.

Essa estratégia aparece em um vídeo publicado no Instagram, no qual Ciro Gomes, já em tom de pré-campanha, surge ao lado de aliados ligados às forças de segurança: Capitão Wagner (presidente estadual do União Brasil), o deputado estadual Sargento Reginauro e o vereador Soldado Noélio. No material, Ciro acena diretamente a policiais civis, militares e bombeiros, defendendo a valorização da categoria no Ceará.

No vídeo, Ciro se dirige aos militares e ao povo cearense para tratar do que considera a “mais grave preocupação do povo do Ceará”: a segurança pública. Segundo ele, recebeu dos próprios profissionais da segurança a informação de que as leis orgânicas nacionais das polícias Civil e Militar, em vigor no Brasil, não estariam sendo cumpridas no estado.

Ciro classifica a situação como uma “desmoralização” e aponta ilegalidades. Em discurso direcionado aos policiais do Ceará, ele reitera o que soa como um compromisso de campanha, caso venha a ser candidato. “Tendo nós, qualquer um de nós, a oportunidade, temos que lutar para que, como primeira providência, a gente coloque em vigor essa lei, para que o policial civil, o policial militar, que estão todo dia expondo suas vidas para nos proteger, tenham a certeza de que são respeitados, pelo menos no básico dos seus direitos”, destacou.

Na sequência, Capitão Wagner encerra o vídeo reforçando o compromisso da oposição com a categoria: colocar em prática a Lei Orgânica da Polícia Civil e a Lei Orgânica da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros no Ceará. De acordo com as informações apresentadas, a aplicação dessas leis garantiria escalonamento salarial, escala digna de trabalho e aumento do auxílio-alimentação.

Apesar da atual aproximação, Ciro e Wagner já protagonizaram desavenças e trocas de críticas em eleições anteriores, quando o tema central também era a segurança pública. Em 2016, durante a disputa pela Prefeitura de Fortaleza, quando Wagner enfrentou Roberto Cláudio que buscava a reeleição com o apoio de Ciro, o ex-ministro criticou a forma como Wagner abordava a segurança pública na capital, afirmando que o discurso amedrontava a população e chegando a classificá-lo como fascista.

Em 2022, Ciro voltou a tecer duras críticas a Wagner, inclusive atribuindo a ele o aumento da violência no Ceará. “É um ciclo da sequência dos motins, criados pelo candidato da oposição, Wagner”, afirmou à época. O então ex-deputado venceu duas ações judiciais contra Ciro Gomes relacionadas a essas declarações.

Com a aproximação de Ciro da oposição cearense de olho nas eleições de 2026, os dois selaram uma reaproximação durante a cerimônia de filiação de Ciro ao PSDB, em outubro de 2025, com direito a elogios públicos. Na ocasião, Wagner retirou três processos que movia contra Ciro, alegando que “não fazia mais sentido”, após o ex-ministro apresentar desculpas.

Pelo discurso apresentado, é possível observar que o principal objetivo da oposição é pautar o debate sobre segurança pública junto ao povo cearense, como eixo central do projeto político liderado por Ciro Gomes. A estratégia passa, sobretudo, pela aproximação com policiais civis, policiais militares e bombeiros do Ceará.



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