quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Hospital Regional Norte inicia aplicação de novo imunizante contra VSR em bebês prematuros e com comorbidades internados

 


O Hospital Regional Norte (HRN), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Sobral, iniciou a aplicação do nirsevimabe em bebês prematuros e crianças com comorbidades internadas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O imunizante é ofertado pelo Ministério da Saúde e distribuído aos municípios por meio da Sesa, com o objetivo de ampliar a proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa da bronquiolite e de formas graves de infecções respiratórias na primeira infância.

São considerados prematuros os bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação. Também integram o público prioritário crianças menores de 24 meses com comorbidades, como cardiopatias congênitas, broncodisplasia, imunocomprometimento, Síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares e anomalias congênitas das vias aéreas.

Administrado em dose única, o nirsevimabe passa a integrar o Sistema Único de Saúde (SUS) e substitui o palivizumabe, que anteriormente era destinado apenas a prematuros extremos, nascidos antes de 28 semanas de gestação.

Em Sobral, o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) do HRN é responsável por receber e administrar as doses. Neste primeiro momento, a aplicação foi iniciada nos bebês internados na unidade, com foco na proteção durante os primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade às complicações respiratórias.

De acordo com a enfermeira do Crie, Larissa Cunha, a incorporação do novo imunizante amplia a proteção das crianças mais vulneráveis, especialmente durante a sazonalidade de maior circulação do vírus. Ela explica que, diferentemente do esquema anterior, que exigia múltiplas aplicações, o nirsevimabe é administrado em dose única, o que facilita o acompanhamento.

Quem pode receber e como ter acesso

O fluxo de administração segue critérios definidos pela idade gestacional, presença de comorbidades e histórico prévio de profilaxia contra o VSR.

Recém-nascidos prematuros com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias são elegíveis para receber a dose ao nascer ao longo de todo o ano, independentemente do peso. A dosagem varia conforme o peso ao nascimento: bebês com menos de 5 kg recebem 50 mg (0,5 ml) e aqueles com 5 kg ou mais recebem 100 mg (1,0 ml). Nascidos com mais de 37 semanas e sem condições de risco não são elegíveis neste contexto.

Crianças com comorbidades também podem receber a proteção durante a segunda sazonalidade, entre fevereiro e agosto. Nesse grupo, são contempladas crianças com até 1 ano, 11 meses e 29 dias, mediante apresentação de laudo médico que comprove a condição clínica. A dose única nesses casos é de 200 mg, independentemente do peso.

Segundo a equipe do Crie, bebês prematuros identificados nas unidades básicas de saúde são encaminhados ao serviço com prescrição médica e documentação comprobatória. Após análise dos critérios, a aplicação é realizada. O atendimento também pode contemplar pacientes de outros municípios, mediante solicitação pela rede de saúde local.

Em relação à transição entre os imunizantes, crianças que iniciaram o esquema com palivizumabe devem concluí-lo com o mesmo medicamento. Já aquelas nascidas após o fim da sazonalidade anterior e com menos de seis meses de idade podem receber o nirsevimabe como dose de resgate no início da nova sazonalidade.

Para a médica pediatra e neonatologista do HRN, Ana Lia Rocha, a incorporação do nirsevimabe representa um avanço na prevenção das formas graves de infecção pelo VSR, especialmente entre bebês mais vulneráveis. Ela explica que o medicamento é um anticorpo monoclonal pronto, conferindo proteção imediata, sem depender da resposta imunológica do recém-nascido.

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