Em entrevista à mídia vaticana, Frei Giulio Cesareo,
diretor do Escritório de Comunicação do Sacro Convento de Assis, estima a
presença de cerca de 370 mil pessoas, com mais de 15 mil fiéis diariamente.
Durante esse período, celebrações solenes e iniciativas especiais destacarão a
universalidade e a atualidade da mensagem do Poverello.
Relíquias e testemunho de fé
Frei Giulio destaca que a veneração das relíquias é
uma prática antiga entre os cristãos, pois os santos, em particular os
mártires, são aqueles que testemunharam com a própria vida que o amor de Deus
os envolveu plenamente. “Francisco é como o grão de trigo que cai na terra e
morre, mas ao morrer dá muito fruto”, afirma.
Em uma sociedade cada vez mais centrada em si mesma, Frei Giulio espera que o
evento vá além do benefício para hotéis e restaurantes, tornando-se uma
oportunidade de graça. Inspirados em Francisco, que se doou e se consumiu, que
os peregrinos e todos os habitantes da região possam redescobrir o valor de se
doar sem medo.
Francisco, exemplo vivo do Evangelho
Questionado sobre o por que Francisco continua a
falar aos jovens e até aos não crentes por meio de sinais concretos, como as
relíquias, Frei Giulio afirma: “As relíquias fazem parte do seu material
biológico. Assim como alguém fala e é ouvido graças ao corpo — sem corpo, não
há voz —, nosso corpo é o lugar onde acontecem as relações. As relíquias do
santo são, portanto, a casca da semente de Francisco que germinou, e essa casca
nos fala dele”.
Segundo o frade, a atração por Francisco está na sua
vivência do Evangelho. “As pessoas buscam Francisco porque ele é o próprio
Evangelho; nele vemos que o Evangelho, quando acolhido, é uma boa notícia para
o mundo, para as pessoas, para os indivíduos e para a comunidade. Desde o
início, Francisco foi chamado de alter Christus, não no sentido de outro Cristo,
mas como ícone de Cristo, não apenas uma imagem semelhante”, acrescenta.
Frei Giulio ressalta que a exibição das relíquias
não é apenas um momento de devoção popular mas é também um ato eclesial com
valor teológico e cultural. “Queremos nutrir a devoção — nosso amor — com
uma experiência eclesial que é teologicamente fundamentada, mas não por isso
difícil. A teologia não nasceu para ser difícil; nasceu para expressar com
palavras a vida que nos habita”, explica.
O frade lembra que iniciativas como o site www.sanfrancescovive.org e
as redes sociais da basílica ajudam a formar e aproximar os fiéis dessa
experiência.
Uma mensagem universal de esperança
Ao concluir a entrevista, Frei Giulio declara que em
meio a crises sociais e conflitos, São Francisco de Assis continua a transmitir
uma mensagem universal de esperança e ação pessoal.
“Francisco não viveu em um tempo muito melhor que o
nosso. Havia guerras religiosas, grandes conflitos, disputas familiares, muita
injustiça. Ele não viveu em um momento histórico ideal”, lembra Frei Giulio.





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