Mãe de prematuro pela segunda vez, a dona de casa
Francisca Regiane Araújo, 19, conhece de perto a luta contra a bronquiolite,
uma infecção viral aguda que acomete principalmente crianças menores de 2 anos.
O primeiro bebê de Regiane, que mora em Marco (CE), a cerca de 90 km de Sobral,
contraiu a doença e faleceu há três anos. Agora, Anthony, nascido na
maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Sobral no dia 14 de janeiro deste
ano, recebeu o imunizante contra a doença antes de receber alta hospitalar.
“É ótimo saber que meu filho já está protegido. Dá
uma tranquilidade muito grande, especialmente para mim, que já perdi um bebê
para a bronquiolite”, conta Regiane, emocionada. Assim como Anthony, estão
recebendo o imunizante Nirsevimabe na Santa Casa todos os bebês nascidos no
hospital com até 36 semanas e 6 dias de idade gestacional. A aplicação teve
início no começo de fevereiro.
A médica pediatra Juliana Pinto explica que a
bronquiolite é causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por
provocar inflamação e acúmulo de muco nos pequenos brônquios (bronquíolos). A
doença apresenta maior risco de complicações em crianças menores de 2 anos,
principalmente naquelas com comorbidades.
“O Nirsevimabe é um anticorpo monoclonal contra o
vírus sincicial respiratório, principal responsável pelas bronquiolites e
internações de bebês. Diferentemente das vacinas tradicionais, ele oferece
proteção imediata, pois sua função é reconhecer o vírus e impedir que ele
infecte as células do trato respiratório”, esclarece a pediatra.
A médica ressalta que o imunizante é seguro. Menos
de 1% dos pacientes pode apresentar febre ou dor no local da aplicação. Além
disso, é eficaz na prevenção das formas graves da bronquiolite, contribuindo
para a redução das internações e da mortalidade associada à doença.
Os primeiros sintomas costumam se assemelhar aos de
um resfriado, com coriza, tosse e febre. O quadro pode evoluir com piora da
tosse e cansaço. Os pais devem estar atentos a sinais de agravamento, como
esforço para respirar (com afundamento das costelas e do pescoço), batimento de
asas do nariz, respiração rápida com movimento intenso da barriga, gemência,
dificuldade para se alimentar e sonolência.
“Diante de sinais de piora, é fundamental procurar
atendimento médico com urgência. Não há tratamento específico capaz de impedir
a evolução da bronquiolite. O cuidado hospitalar é baseado em suporte e
estabilização do paciente, o que reforça a importância da imunização dos bebês
que fazem parte do grupo de risco”, conclui a médica.





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