terça-feira, 7 de abril de 2026

Perícia comprova erro em identificação e Justiça do Ceará absolve homem preso no lugar do irmão

 

Foto: Natinho Rodrigues/Arquivo SVM.



  • Conteúdo produzido e apurado pelo Diário do Nordeste, apenas republicado por este portal.
  • A Justiça do Ceará decidiu inocentar um homem acusado injustamente por um crime de homicídio. A absolvição de Mucio Moura da Silva veio após documentos, perícia e testemunhas apontarem que o suposto autor do crime se trata do irmão dele.

    Marcelo Henrique Moura da Silva teria se passado pelo irmão para cometer o assassinato. Conforme documentos que a reportagem do Diário do Nordeste teve acesso, Marcelo fugiu do Sistema Prisional do Rio Grande do Norte em 1999 e desde então "provavelmente assumiu a identidade de seu irmão, Mucio, supostamente praticando o crime ora apurado sob essa falsa alcunha".

    De acordo com a decisão proferida na 2ª Vara do Júri, foi julgada improcedente a pretensão punitiva estatal em relação a Mucio e, quanto ao acusado Marcelo Henrique, acolhida a acusação e suspenso o prazo prescricional do processo, já que Marcelo foi citado por meio de edital, não apresentou defesa e nem constituiu advogado, permanecendo na condição de foragido.

    SUSPEITO 'ERRADO' FOI PRESO 

    No dia 28 de março de 2006, Francisco Bezerra de Andrade foi morto no Ceará. O processo permaneceu suspenso por um longo período, até que em 2024 Mucio foi preso. 

    A defesa dele logo alegou "equívoco na identificação civil, sustentando que o réu jamais residira no Ceará e que o verdadeiro autor seria seu irmão".

    A Coordenadoria de Identificação Humana da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) realizou uma perícia papiloscópica e confirmou que o preso não é a mesma pessoa que firmou o prontuário civil em nome de 'Mucio' no Ceará.

    "Somado a isso, o depoimento da ex-companheira do verdadeiro autor e a documentação enviada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte esclarecem a dinâmica dos fatos: Marcelo Henrique, após fugir da prisão em 1999, provavelmente assumiu a identidade de seu irmão, Mucio, supostamente praticando o crime ora apurado sob essa falsa alcunha".

    'CONSTRAGIMENTO ILEGAL'

    As impressões digitais do preso não coincidiram com as do prontuário civil utilizado pelo autor do crime, restando provado que o envolvido no assassinato seria Marcelo Henrique, "havendo indícios de que usurpava a identidade do irmão para esquivar-se da Justiça".

    No mês de julho do ano passado, a Justiça considerou a "existência de dúvida razoável quanto à correta qualificação do acusado", que ainda eram aguardadas diligências para a identificação criminal e acolheu o pedido da defesa para revogar a medida cautelar de monitoramento eletrônico de Mucio. 

    Em setembro de 2025, o MP apresentou aditamento à denúncia, que foi recebida pelo Judiciário, agora incluindo Marcelo como autor dos fatos e pugnando pela exclusão de Mucio.

    Diante aos fatos, a juíza da 2ª Vara do Júri de Fortaleza destacou que a manutenção de Mucio no processo configuraria constrangimento ilegal, impôs "sua imediata absolvição" e designou produção antecipada de prova para o dia 9 de abril de 2026, às 10h30.

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