Matéria: PONTO PODER/Diário do Nordeste
O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE)
recontou os votos para deputado federal nas eleições de 2022. Com os novos
números, a vereadora Priscila Costa (PL) se torna oficialmente
deputada pelo Estado. A retotalização ocorreu nesta sexta-feira
(29), por ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que anulou os votos
Heitor Freire, suplente de deputado federal pelo União Brasil, no último dia 21
de maio.
O desembargador Emanuel Leite Albuquerque,
corregedor e vice-presidente da Corte eleitoral, foi o responsável pelo novo
cálculo, que ocorreu na sede do Tribunal.
O agora ex-parlamentar, atualmente filiado ao
Podemos, foi condenado por captação e gastos ilícitos de recursos de campanha.
Anteriormente, ele integrava os quadros do União Brasil, o que gerou
a recontagem de votos da chapa, levando à perda de mandado de Dayany
Bittencourt (União).
O cálculo foi totalmente automatizado, feito pelo
Sistema de Gerenciamento da Totalização (SISOT), que processou os dados.
Esse sistema foi o mesmo utilizado e lacrado das
eleições de 2022. Eles atualizaram o registro de candidaturas e processaram o
arquivo enviado pelo sistema. Em seguida, houve a totalização propriamente dita
e foi gerado o relatório, que foi juntado ao processo da eleição de 2022,
desarquivado para o procedimento.
Acompanharam a retotalização o advogado Pedro
Teixeira Cavalcante Neto (representando o PL), a advogada Clara Rachel Feitosa
Petrola (representando a presidência da OAB CE) e o deputado federal André
Fernandes (presidente do PL).
Perda de mandato para o União Brasil
A agora ex-deputada Dayany Bittencourt obteve 54.526
votos e ficou na última colocação entre os eleitos pelo União Brasil. A
parlamentar foi eleita nas chamadas sobras, quando o ocupante de cargo
proporcional consegue se viabilizar por conta da distribuição das vagas
restantes para os partidos que melhor performaram na disputa proporcional.
Ao falar da decisão, Dayany
disse ser vítima de violência política de gênero e disse ter ficado
"triste" e "abalada" com a decisão.
"Tiraram o meu mandato. Parece mentira, mas
infelizmente é verdade. Depois de três anos e meio da eleição, a Justiça
Eleitoral resolveu fazer uma recontagem de votos que vai me tirar da cadeira de
deputada. Isso é violência política de gênero", disse.
"Dói muito. Dói porque eu não fui acusada de
nada. Dói porque eu não cometi nenhum erro".
Ao comentar o caso, o ex-deputado federal Capitão
Wagner (União), marido de Dayany, disse que a decisão era "perseguição
política" e uma tentativa de atingi-lo, porque ele nunca se rendeu ao
sistema".





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