Fonte: Diário do Nordeste
O Ceará exportou, entre janeiro e abril de 2026, US$
269,8 milhões para os Estados Unidos. Esse valor representa uma alta de 30,03%
no comparativo com o primeiro quadrimestre do ano passado.
Todo esse cenário ocorreu mesmo com taxas de
importação em vigor desde o segundo semestre do ano passado pelo Governo
estadunidense.
Nos quatro primeiros meses deste ano, o Ceará
exportou no geral US$ 745,95 milhões, 49% a mais do que no mesmo período de
2025, quando somou US$ 500,5 milhões comercializados com o exterior.
Os dados são da Secretaria de Desenvolvimento
Econômico do Ceará (SDE) com base em informações da plataforma Comex Stat, do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A perspectiva é de que o Ceará, assim como o Brasil,
pode ser afetado com um novo tarifaço - de 25% - a ser imposto pelo Governo dos
EUA para produtos brasileiros.
EUA
recebe fatia percentual menor dos produtos cearenses em 2026
Embora haja alta nas exportações cearenses para os
EUA, a participação do país norte-americano nas exportações do Estado caiu
cinco pontos percentuais.
No primeiro quadrimestre do ano passado, as
exportações do Ceará para os EUA representaram 41,45% da pauta exportadora
cearense. Em 2026, o volume foi de 36,16%.
O Ceará teve ainda a segunda maior alta percentual
nas exportações nos quatro primeiros meses de 2026, atrás apenas de Roraima.
Para os EUA, o Ceará foi o 11º estado brasileiro que
mais exportou para o País, e o primeiro do Nordeste. O território cearense
corresponde a apenas 0,23% de tudo o que foi exportado do Brasil para os EUA em
2026.
México
surpreende e se torna vice-líder
Ainda que represente um número abaixo dos EUA, o
também norte-americano México é, atualmente, o segundo país que mais recebe as
exportações cearenses.
Foram US$ 46,17 milhões vendidos para o país latino
entre janeiro e abril deste ano, 1.255% a mais do que no mesmo período de 2025.
Assim como os EUA, o México recebeu do Ceará
majoritariamente produtos de ferro e aço semimanufaturados, exportados
geralmente pela siderúrgica localizada no Complexo Industrial e Portuário do
Pecém (Cipp).
O
que novo tarifaço pode representar para as exportações cearenses?
Para Augusto Fernandes, CEO da JM Negócios
Aduaneiros, o Ceará até deve ser prejudicado com uma nova sobretaxação imposta
pelos EUA, mas menos do que em 2025.
"Esse tarifaço, se passar, é diferente do de
2025. Além de ser menor, os itens principais de correlações entre os países
estão fora deles", pondera.
Os itens principais de correlações aos quais
Fernandes se refere são os produtos que estão em uma vasta lista de isenções
preparadas pelo Governo dos EUA, como suco de laranja, carne e café,
considerados essenciais para a população estadunidense.
"Tem uma isenção gigante da tarifa. Além de
tarifas, são barreiras técnicas e tarifárias. Esse relatório inclui uma série
de fatores usados politicamente, como o comércio digital, o pagamento
eletrônico", completa o especialista.
Fernandes também comenta o crescimento das
importações mexicanas dos produtos do Ceará, e avalia que pode estar
relacionado com a diversificação da pauta exportadora cearense.
"México faz fronteira com os EUA. Tem a parte
automotiva que o Brasil tem compromisso com o México, com importação de partes
de carros", expõe.
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