Matéria sobral.com - Escrita por Edna Mara (Estudante de Jornalismo)
Mães atípicas compartilharam com o sobral.com as
dificuldades que enfrentam com os filhos autistas neste período de Copa,
causadas pelo excesso da queima de fogos de artifício barulhentos. A psicóloga
Claudia Roberta também explica um pouco sobre o assunto.
Alexsandra, mãe de Enzo Gabriel, que tem TEA
(Transtorno do Espectro Autista), fala sobre o que ocorre com o filho durante
as datas de jogos: "Sou mãe de uma criança atípica de apenas 4 anos de
idade e, em período de Copa, sofremos bastante com a queima de fogos, pois o
meu filho sofre com a hipersensibilidade auditiva, e isso o deixa agitado,
agressivo e com choros excessivos, fazendo com que ele entre em uma crise
intensa. Fazemos o uso dos abafadores, mas nem sempre eles conseguem amenizar a
proporção do barulho, causando todos esses desconfortos. Essa é uma das maiores
lutas das mães atípicas em período de Copa!"
Já a mãe do Davison Elias de 8 anos, Diana Paiva,
conta que o filho geralmente não possui tanta sensibilidade aos sons, mas que,
neste período, com o excesso de barulho, acaba ficando assustado e nervoso,
gerando um comportamento autoagressivo. Durante seu relato, ela chega a dizer:
"Aquela zoada barulhou a mente dele como criança autista."
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| Claudia Roberta - Psicóloga |
Os comportamentos percebidos são choro intenso, desorganização emocional (emoções como raiva, medo, tristeza e euforia), gritos, tentativa de fugir e agressividade. A criança pode se autoagredir na tentativa de se regular ou até agredir pessoas próximas. Isso não é birra, é um sofrimento real devido à sobrecarga sensorial recebida pelo sistema nervoso. O mais preocupante é que a crise pode não acabar com o fim do barulho, podendo se estender por mais tempo, pois a criança perde o senso de segurança que sente em seu próprio lar. O organismo pode levar horas para retornar ao estado de equilíbrio.
Na clínica, acompanho crianças atípicas e o que
tenho percebido é um aumento na agressividade, alterações na rotina e no sono,
além do sofrimento intenso das mães atípicas, que se sentem completamente
impotentes por não conseguirem proteger os filhos dentro da própria casa. O que tenho orientado para as famílias é o
uso de abafadores, fechar todas as portas da casa, colocar uma música calma
como som de fundo e realizar alguma atividade que possa manter a criança focada
durante os jogos. Mas isso é apenas uma 'redução de danos', pois os barulhos
intensos podem acabar causando sérias crises que a família não consegue evitar.
O ideal seria uma conscientização coletiva quanto ao
uso dos fogos, pelo menos. A celebração é genuína. Todos nós queremos comemorar
um gol, vibrar e dar aquele grito de vitória, mas, se você mora próximo de uma
família atípica, o respeito deve vir em primeiro lugar."
A cidade de Sobral possui uma lei aprovada pela
Câmara Municipal em abril de 2018 que proíbe a queima, soltura e o manuseio de
fogos de artifício, artefatos pirotécnicos, rojões e foguetes que causem
poluição sonora, como estouros e estampidos (Lei nº 1.736). Entretanto, apesar
da legislação, muitas pessoas ainda realizam essa prática de forma ilegal,
prejudicando não apenas pessoas com TEA, mas também animais e idosos.








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