A mudança de endereço do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS
II) Damião Ximenes Lopes tem gerado questionamentos entre usuários, familiares
e profissionais ligados à saúde mental em Sobral.
Na última semana, a Secretaria da Saúde informou que, a
partir do dia 3 de junho, o serviço passará a funcionar em um novo endereço,
localizado na Rua Coronel Diogo Gomes, nº 1105, no Centro da cidade.
Após o anúncio, pessoas vinculadas ao serviço procuraram a
reportagem do Sobral.com para manifestar preocupação com a transferência e
pedir esclarecimentos sobre os motivos da mudança. Segundo os relatos, o antigo
imóvel, situado na Rua Coronel Mont'Alverne, nas proximidades da Margem
Esquerda, oferecia melhores condições para as atividades desenvolvidas pelo
CAPS.
De acordo com profissionais e usuários, o espaço contava com
áreas abertas que favoreciam as práticas terapêuticas e o acolhimento dos
pacientes. Defensores da permanência da unidade no antigo endereço afirmam que
o local era resultado de uma construção coletiva envolvendo profissionais,
gestores, familiares e usuários da rede de saúde mental.
O debate também mobilizou o Movimento Antimanicomial
Sobralense (MAS), grupo apartidário formado por usuários da saúde mental,
profissionais, estudantes e apoiadores da luta antimanicomial. Em publicação
nas redes sociais, o movimento apresentou uma série de reivindicações
consideradas prioritárias, entre elas o retorno de vagas de trabalho para
usuários da rede de saúde mental, a recomposição das equipes mínimas dos CAPS
conforme a Portaria nº 336/2002, a garantia de medicamentos, a ampliação das
políticas de redução de danos e a manutenção de uma sede própria ou o retorno
do CAPS II ao antigo espaço.
Entre os relatos encaminhados à reportagem, uma usuária
destacou a importância do imóvel anteriormente utilizado pelo serviço.
“Aquela casa era um verdadeiro lar para muitos. Ali
funcionavam os grupos, havia espaço aberto e, acima de tudo, dignidade para os
usuários do serviço. Desestruturar um dispositivo de saúde mental dessa forma é
um retrocesso lamentável, especialmente no mês da Luta Antimanicomial.”
Outra familiar afirmou que gostaria de receber mais
informações sobre a decisão.
“Por que a mudança? Qual o argumento? Minha mãe utiliza esse
serviço e, em momento algum, alguém me ligou ou enviou mensagem. Faltou
transparência para informar os pacientes e responsáveis sobre os motivos dessa
mudança.”
O Sobral.com entrou em contato com a assessoria da Secretaria
da Saúde de Sobral para solicitar esclarecimentos sobre a transferência da
unidade e os critérios que motivaram a mudança. Até a publicação desta matéria,
não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação da gestão municipal.





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