Fonte: G1 Ceará
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou, na
manhã desta terça-feira (14), que o julgamento de Matheus Anthony Lima Martins
foi retomado após a suspensão ocorrida nesta segunda-feira (13) por
"razões médicas". Matheus é réu no processo da morte da enfermeira
Clarissa Costa Gomes, assassinada com 34 facadas em julho de 2025, em
Fortaleza.
O g1 apurou que Matheus Anthony tem epilepsia e, por
isso, convulsionou, caiu e bateu a cabeça. Ele recebeu atendimento médico e foi
levado a uma unidade de saúde.
Conforme o TJCE, o
julgamento foi retomado às 9h37. Para o período da manhã, a previsão é que
quatro testemunhas de defesa sejam ouvidas. Matheus Anthony também deve ser
interrogado durante a manhã.
A sessão teve
início nesta segunda-feira (13), no Fórum Clóvis Beviláqua. Antes que as
atividades fossem suspensas, cinco testemunhas de acusação haviam sido ouvidas.
Matheus Anthony
Queiroz é réu no processo da assassinato da enfermeira Clarissa Costa Gomes,
assassinada com 34 facadas em julho de 2025, em Fortaleza.
Matheus vai ser
julgado pelo júri popular por feminicídio majorado pelo uso de meio cruel e
recurso que impossibilitou defesa da vítima, conforme a denúncia do Ministério
Público do Ceará (MPCE).
Clarissa foi morta
na casa em que morava com a mãe, no Bairro Jardim Cearense. No momento do
crime, ela estava sozinha com o agressor, o técnico em gestão ambiental Matheus
Anthony Lima Martins Queiroz, de 26 anos.
Antes de ser morta,
ela chegou a enviar uma mensagem de 'SOS' para uma amiga. No primeiro momento,
a amiga acreditou que a mensagem se referia a uma reunião online de trabalho
que as duas tiveram pouco antes do crime.
Acusado e vítima se
conheceram na igreja e estavam juntos desde outubro de 2023. Conforme amigos de
Clarissa, Matheus foi o primeiro namorado dela. À polícia, amigas informaram
que, nos últimos meses antes do crime, a enfermeira pensava em terminar o
relacionamento.
Motivação do crime
A suspeita de
familiares, de amigos e do Ministério Público é que, no dia do crime, Clarissa
tenha tentado terminar o namoro, o que não foi aceito por Matheus.
"O conjunto
probatório aponta no sentido de que no dia dos fatos, Clarissa veio a
manifestar a vontade de pôr fim ao relacionamento, ao que o réu, inconformado,
passou a agredir fisicamente a vítima, bem como surpreendeu Clarissa, se
apossou de uma faca que a mãe da vítima guardava em uma geladeira, desferindo
diversos golpes contra a vítima", diz um trecho da denúncia do MP.
O MP pediu que
Matheus fosse levado a júri popular e julgado pelo crime de feminicídio
qualificado, com aumento de pena em razão do motivo torpe (não aceitar o
término), utilização de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da
vítima.
Durante depoimento
à Polícia Civil, Matheus primeiro afirmou que não tinha encontrado Clarissa no
dia do crime. Depois, disse não ter lembranças do que aconteceu. Ele está preso
preventivamente desde então.
Clarissa e Matheus
chegaram à casa dela por volta de 13h30 do dia 9 de julho. Eles estavam
sozinhos na residência. Às 14h, ela participou de uma reunião online de
trabalho. Ao fim do encontro, por volta das 15h, ela mandou a mensagem de 'SOS'
para a amiga que também participou da reunião.
Em depoimento, a
amiga disse que acreditou que a mensagem se tratava de Clarissa informando que
não tinha entendido o conteúdo da reunião. Durante o encontro, a enfermeira não
ligou a câmera nem o áudio, se comunicando apenas por escrito.
Por volta de 15h20,
os vizinhos começaram a ouvir gritos de pedido de socorro, mas disseram que,
por causa do som abafado, não identificaram de onde vinham. Eles também ouviram
pancadas, que foram do agressor batendo a cabeça da vítima contra diversas
superfícies.
Conforme o
Ministério Público, Matheus utilizou uma faca da casa de Clarissa para matá-la.
Ele acertou a vítima 34 vezes. Depois, ele tomou um banho, trocou de roupa e
deixou a residência por volta de 15h30.
Os vizinhos
disseram que viram Matheus sair da casa e deixar o portão da rua aberto, mas o
portão de dentro da casa estava trancado. Os vizinhos foram até o local e
chamaram Clarissa, que não respondeu. Depois, um irmão de Matheus chegou ao
local com a chave que o suspeito havia levado.
Após entrar na
casa, as testemunhas encontraram sangue em diversos cômodos e chamaram o Samu e
a Polícia. A morte de Clarissa foi constatada pela equipe do Samu no local.
Matheus foi preso na noite do crime, na saída do condomínio da mãe.
Discussões por trabalho
Conforme
depoimentos de diferentes testemunhas, Clarissa falava pouco sobre o
relacionamento com Matheus, que durou menos de dois anos. Nos últimos meses,
porém, ela vinha relatando desgaste dos dois, sobretudo em relação a ociosidade
e episódios de grosseria do companheiro.
Matheus tem
formação como técnico em gestão ambiental pelo Instituto Federal do Ceará
(IFCE), mas não trabalhava na área e teria sido demitido de um trabalho em um
hospital particular, arranjado por Clarissa, por grosseria com os clientes.
Ele também circulou
por um período como motorista de aplicativo na sua moto, que acabou sendo
vendida. Clarissa teria, inclusive, preparado um currículo para o homem, que
conseguiu um emprego em uma empresa de energia solar, mas costumava faltar
repetidamente. Ele foi demitido após ser preso.
"Ele vive
faltando esse emprego dele de experiência, tipo agora faz três dias seguidos
que ele falta o trabalho. Não fala comigo mas eu tenho que ficar buscando ele
[de carro], aí eu fico brigando, me desgastando", disse Clarissa em
conversa com uma amiga sobre o namorado.
A enfermeira tinha relatado a amigas que ele tinha episódios de ciúmes e ela, inclusive, tornou privado seu perfil nas redes sociais para evitar discussões. Em junho de 2025, Clarissa falou a uma amiga que estava pensando em terminar o relacionamento com Matheus. Ela foi morta no mês seguinte.
Formada em
Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Clarissa tinha 31 anos e
trabalhava como enfermeira em dois grandes hospitais públicos da capital
cearense: o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e o Hospital Dr. César Cals.
Clarissa era
especializada na área de neonatal - voltada para recém-nascidos - e, conforme
amigos relataram ao g1, ela estava prestes a iniciar um novo trabalho no
Hospital Universitário do Ceará (HUC) e na Maternidade-Escola Assis
Chateaubriand (MEAC).
"Ela sempre
foi estudiosa, correta e muito pacata. Moça inteligente, simpática e
amável", disse um amigo ao g1. "Desde criança nunca gostou de nada
que fugisse do correto. Teve uma mãe extremamente presente que a amava e
cuidava dela em toda etapa da vida".
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