Fonte: G1-CE
O Ceará tem três das dez cidades mais violentas do
Brasil, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado
nesta quinta-feira (23), com dados referentes ao ano de 2025. No estado estão o
1º e o 3º municípios mais violentos do país, respectivamente Maranguape e
Maracanaú. A cidade de Caucaia ficou em 7º lugar no ranking nacional.
É o segundo ano seguido que as três cidades aparecem
no estudo como as três mais violentas do estado e na lista das cidades mais
violentas do Brasil com mais de 100 mil habitantes. As três cidades ficam na
Região Metropolitana de Fortaleza e são vizinhas entre si.
Com cerca de 105 mil habitantes, Maranguape volta ao
primeiro lugar do ranking como o município com maior taxa de homicídios do
Brasil. Em 2025, a cidade registrou uma taxa de 100,03 mortes a cada 100 mil
habitantes, a maior entre os municípios pesquisados (e a única com uma taxa superior
a 100). Em 2024, a cidade tinha uma taxa de 79,9 mortes por 100 mil habitantes.
Um crescimento de 25,1%.
Com 234 mil habitantes, Maracanaú registrou uma taxa
de 80,7 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2025, um número 17% maior que
em 2024, quando a taxa foi de 68,5 homicídios a cada 100 mil habitantes. Com o
crescimento expressivo, a cidade saiu do 9º lugar entre as mais violentas do
Brasil, no ranking de 2024, para o 3º lugar em 2025.
Com 355 mil habitantes, o município de Caucaia
registrou uma leve redução na taxa de mortes a cada 100 mil habitantes: 66,6
mortes em 2025 contra 68,9 em 2024. Neste caso, houve uma redução de 3,3%.
Apesar disso, Caucaia acabou subindo no ranking nacional, indo da 8ª para a 7ª posição.
Para elaborar
o Anuário, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que organiza o
levantamento, considera como mortes violentas intencionais (MVI):
Homicídios
dolosos;
Feminicídios;
Latrocínios;
Lesões corporais seguidas de morte;
Mortes de policiais;
Mortes decorrentes de intervenções policiais.
Em 2025, o Brasil registrou 40.755 mortes violentas,
uma redução de 8,2% em comparação com 2024. Das 27 unidades federativas, apenas
sete registraram aumento no número de homicídios. O Ceará teve uma redução de
7,5% no número de homicídios em 2025, mas ainda assim foi o terceiro mais violento
do país, segundo o Anuário.
Veja o ranking das cidades com maiores taxas de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025:
Ceará continua como 3º estado mais violento
Mesmo tendo apresentado redução no número de
homicídios, o Ceará foi o terceiro estado mais violento do Brasil em 2025,
ainda de acordo com o Anuário. É o segundo ano seguido que o estado aparece
nesta posição.
Conforme o estudo, em 2025 o Ceará registrou uma
taxa de 34,6 homicídios a cada 100 mil habitantes. Em primeiro lugar está o
Amapá, com uma taxa de 42,5 mortes violentas a cada 100 mil habitantes; e em
segundo, a Bahia, com 36,8 mil mortes a cada 100 mil habitantes.
No primeiro semestre de 2026, o Ceará registrou uma redução de 40% no número de homicídios, na comparação com seis primeiros meses do ano anterior, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS).
Em 2025, o Brasil como um todo registrou 40.755
mortes violentas, uma redução de 8,2% em comparação com 2024. Das 27 unidades
federativas, apenas 7 registraram aumento no número de homicídios.
O Ceará teve, em números absolutos, 3.021 homicídios
em 2025, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública. O número é 7,7%
menor que em 2024, quando foram registradas 3.272 mortes violentas no estado.
A redução nos números totais foi sentida também na
taxa proporcional calculada pelo Anuário. Em 2024, o estado tinha uma taxa de
37,5 homicídios a cada 100 mil habitantes, o que pôs o Ceará em 3º lugar dos
mais violentos no ranking daquele ano. Em 2025, o estado encerrou o ano com a
taxa de 34,6 homicídios por 100 mil habitantes, e apesar da redução, manteve o
3º lugar.
As conclusões do Anuário de Segurança Pública de
2025:
Os feminicídios bateram recorde em 2025, o que vai
na contramão da redução das mortes violentas como um todo. Quatro mulheres
foram mortas por dia, em média;
O Brasil registrou o menor número de assassinatos
desde 2012, quando começou o levantamento do Fórum. Foram 40.775 vítimas, queda
de 8% em relação a 2024;
O país teve, pela primeira vez, taxa de mortes
violentas abaixo de 20: ficou em 19,1. É o menor número registrado no histórico
feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública;
Outros indicadores de violência contra a mulher
registraram alta: mais casos de violências psicológicas (17%), stalking (30%),
descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). O Brasil teve três
tentativas de feminicídio para cada crime consumado ao longo de 2025;
As dez cidades mais violentas no país ficam no
Nordeste, metade na Bahia. Maranguape (CE) lidera ranking pelo 2º ano seguido e
foi o único município a superar a taxa de 100 mortes violentas por 100 mil
habitantes;
Santa Catarina registrou 7,6 mortes violentas por
100 mil habitantes e se tornou o estado com a menor taxa do país. São Paulo
ocupava essa posição desde 2014;
As mortes cometidas por policiais aumentaram 5% no
ano passado, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%;
Os registros de produção, posse ou distribuição de
conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%;
Os casos de bullying e cyberbullying cresceram mais
de 60% entre jovens. Isso ocorre após a criação de tipo penal específico, em
2024;
A quantidade de adolescentes que cumprem medida
socioeducativa no Brasil caiu 54% em 9 anos: são 12,2 mil jovens, a maioria
meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%). As ocorrências mais
comuns são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%);
O número de pessoas no sistema prisional cresceu 6%
e chegou a 964 mil. O estudo prevê que, se for mantida a tendência, o Brasil
pode bater 1 milhão de presos já em 2027;
Há 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a
ter armas — desse total, 1 milhão têm licença de CAC (Caçadores, Atiradores e
Colecionadores) — e 1,6 milhão de armas cadastradas. Três em cada 10 armas
estão com registro vencido.

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