segunda-feira, 27 de julho de 2026

Projeto de universitários leva saúde, educação menstrual e aplicação de DIU ao interior do Ceará

Foto: Arquivo Pessoal 

Fonte: g1 Ceará

Um grupo de estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolve o projeto Missão Mulher Saudável, que leva educação menstrual, capacitação profissional e aplicação do Dispositivo Intrauterino (DIU) a municípios do interior do Ceará.

 As aplicações do DIU e as ações de conscientização são coordenadas pelo médico e professor Leonardo Bezerra. De acordo com informações do g1 Ceará, as atividades incluem palestras e eventos realizados em escolas e empresas dos municípios atendidos, com o objetivo de ampliar o acesso à informação e aos serviços de saúde.

A iniciativa trabalha com outros dois eixos: a capacitação de profissionais de saúde, não apenas para a aplicação do dispositivo, mas para todo o contexto que envolve a saúde menstrual; e a educação e conscientização de mulheres com palestras e outros eventos em escolas e empresas.

 O projeto foi fundado pela estudante Naomi Ferreira, de 24 anos. A universitária também recebeu o prêmio Na Prática Protagonismo 2025, iniciativa que reconhece projetos acadêmicos, sociais, de empreendedorismo e outras ações voltadas à transformação do conhecimento em impacto para a sociedade.

A “Missão” começou quando a jovem Naomi Ferreira estava no 6º semestre da faculdade. Ela fazia um módulo de medicina ginecológica e podia acompanhar os atendimentos médicos. Durante os encontros, uma situação se repetia entre as pacientes: a falta de informação sobre os problemas de saúde menstrual.

“Eu trabalhava muito com mulheres que tinham queixa de dor pélvica crônica e endometriose. E esse é um público muito complicado. Essas mulheres sofrem por muitos anos, elas sentem muitas dores, e muitas pessoas invalidam a dor delas, familiares, pessoas próximas, e até mesmo médicos”, lamentou a universitária.

Naomi percebeu também que muitas pacientes precisavam se deslocar centenas de quilômetros, saindo de cidades do interior em busca de consultas na capital cearense. "Elas esperam nas filas das secretarias por longos meses para conseguir acesso aos especialistas. Elas saem de madrugada de casa; às vezes têm consulta só à tarde, mas saem de madrugada porque precisam sair junto com o ônibus que leva todo mundo para fazer a consulta”, comentou a jovem.

As ações do projeto já foram realizadas em municípios como Quiterianópolis, Crateús e Jaguaretama, que ficam a cerca de 400 km, 350 km e 240 km de distância de Fortaleza, respectivamente.

Reforço na capacitação

O coordenador do projeto, Leonardo Bezerra, explicou que o projeto foi desenvolvido também a partir de demandas de gestoras municipais que reclamaram a ele e ao reitor da UFC, Custódio Almeida, sobre a ausência de profissionais capacitados para aplicação do DIU — mesmo com os dispositivos parados nos estoques das secretarias de saúde.

Segundo Bezerra, uma ex-prefeita de Quiterianópolis “tinha uma quantidade enorme de dispositivos intrauterinos na prefeitura, mas não tinha quem capacitasse os médicos, não tinha como colocar, como orientar”. Por isso, o município foi o primeiro a receber ações do Missão Mulher Saudável.

Os participantes focam, inclusive, em uma perspectiva de longo prazo, cuidando para que os profissionais de saúde que atuam no interior do estado possam seguir realizando os trabalhos com base nas orientações repassadas.

“Não levando só assistência, mas, fundamentalmente, tentando capacitar os profissionais das regiões mais distantes dos Programas de Saúde da Família [PSFs], principalmente, capacitando-os para os métodos de inserção de DIU, para os métodos de orientação de contracepção, para orientação sobre saúde menstrual, para orientação sobre planejamento familiar”, explicou Bezerra.

“O nosso maior objetivo é, com as missões, a gente tanto fazer as inserções, atender a demanda urgente, mas, principalmente, capacitar os profissionais do PSF, daquele município, daquela região, para que eles consigam, por exemplo, fazer as inserções dos DIUs nas unidades depois da nossa saída”, reforçou o coordenador.

 


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