Fonte:
g1 Ceará
Um
grupo de estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC)
desenvolve o projeto Missão Mulher Saudável, que leva educação menstrual,
capacitação profissional e aplicação do Dispositivo Intrauterino (DIU) a
municípios do interior do Ceará.
As aplicações do DIU e as ações de
conscientização são coordenadas pelo médico e professor Leonardo Bezerra. De
acordo com informações do g1 Ceará, as atividades incluem palestras e eventos
realizados em escolas e empresas dos municípios atendidos, com o objetivo de
ampliar o acesso à informação e aos serviços de saúde.
A
iniciativa trabalha com outros dois eixos: a capacitação de profissionais de
saúde, não apenas para a aplicação do dispositivo, mas para todo o contexto que
envolve a saúde menstrual; e a educação e conscientização de mulheres com
palestras e outros eventos em escolas e empresas.
O projeto foi fundado pela estudante Naomi
Ferreira, de 24 anos. A universitária também recebeu o prêmio Na Prática
Protagonismo 2025, iniciativa que reconhece projetos acadêmicos, sociais, de
empreendedorismo e outras ações voltadas à transformação do conhecimento em
impacto para a sociedade.
A
“Missão” começou quando a jovem Naomi Ferreira estava no 6º semestre da
faculdade. Ela fazia um módulo de medicina ginecológica e podia acompanhar os
atendimentos médicos. Durante os encontros, uma situação se repetia entre as
pacientes: a falta de informação sobre os problemas de saúde menstrual.
“Eu
trabalhava muito com mulheres que tinham queixa de dor pélvica crônica e
endometriose. E esse é um público muito complicado. Essas mulheres sofrem por
muitos anos, elas sentem muitas dores, e muitas pessoas invalidam a dor delas,
familiares, pessoas próximas, e até mesmo médicos”, lamentou a universitária.
Naomi
percebeu também que muitas pacientes precisavam se deslocar centenas de
quilômetros, saindo de cidades do interior em busca de consultas na capital
cearense. "Elas esperam nas filas das secretarias por longos meses para
conseguir acesso aos especialistas. Elas saem de madrugada de casa; às vezes
têm consulta só à tarde, mas saem de madrugada porque precisam sair junto com o
ônibus que leva todo mundo para fazer a consulta”, comentou a jovem.
As
ações do projeto já foram realizadas em municípios como Quiterianópolis,
Crateús e Jaguaretama, que ficam a cerca de 400 km, 350 km e 240 km de
distância de Fortaleza, respectivamente.
Reforço na capacitação
O
coordenador do projeto, Leonardo Bezerra, explicou que o projeto foi
desenvolvido também a partir de demandas de gestoras municipais que reclamaram
a ele e ao reitor da UFC, Custódio Almeida, sobre a ausência de profissionais
capacitados para aplicação do DIU — mesmo com os dispositivos parados nos estoques
das secretarias de saúde.
Segundo Bezerra, uma ex-prefeita de Quiterianópolis “tinha uma quantidade enorme de dispositivos intrauterinos na prefeitura, mas não tinha quem capacitasse os médicos, não tinha como colocar, como orientar”. Por isso, o município foi o primeiro a receber ações do Missão Mulher Saudável.
Os
participantes focam, inclusive, em uma perspectiva de longo prazo, cuidando
para que os profissionais de saúde que atuam no interior do estado possam
seguir realizando os trabalhos com base nas orientações repassadas.
“Não
levando só assistência, mas, fundamentalmente, tentando capacitar os
profissionais das regiões mais distantes dos Programas de Saúde da Família
[PSFs], principalmente, capacitando-os para os métodos de inserção de DIU, para
os métodos de orientação de contracepção, para orientação sobre saúde
menstrual, para orientação sobre planejamento familiar”, explicou Bezerra.
“O
nosso maior objetivo é, com as missões, a gente tanto fazer as inserções,
atender a demanda urgente, mas, principalmente, capacitar os profissionais do
PSF, daquele município, daquela região, para que eles consigam, por exemplo,
fazer as inserções dos DIUs nas unidades depois da nossa saída”, reforçou o
coordenador.




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