Fonte: Diário do Nordeste
Era início da manhã do último sábado (4) quando um
ônibus com cerca de 50 romeiros tombou na CE-456, localidade de Juá, zona rural
de Canindé. Um abalo. Sete dias após a tragédia, que resultou no óbito de
três mulheres, 11 pessoas seguem internadas.
Elas estão em três unidades hospitalares:
três mulheres e um homem no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em
Quixeramobim; três mulheres no Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza –
nestes dois locais, sem divulgação de boletim médico; e quatro pessoas no
Hospital Geral de Brejo Santo, identificadas apenas com as iniciais dos nomes e
diagnóstico descrito em detalhes.
No geral, nesta última unidade, todos os
internados estão estáveis – há previsão de
procedimento cirúrgico para um e outro amputou o antebraço. Foram identificadas
fraturas em diferentes ossos (úmero, rádio, ulna, fêmur e clavícula), e a
instituição sublinhou, em comunicado emitido na última quarta-feira (8), que os
pacientes “seguem em monitoramento contínuo, recebendo a assistência necessária
para a plena recuperação”.
Conforme a Prefeitura do município, a maioria
das pessoas internadas são mulheres entre 40 e 60 anos de idade. Quanto aos óbitos, dois foram confirmados no próprio local do
acidente – de Selma Maria de Souza, 58, e Sandra de Raimundo
Esperdião, 55 –, e um ocorreu na última terça-feira (7), de Neusa Inácio da
Silva, 79.
Nesta sexta-feira (10), a missa de sétimo
dia em homenagem às três mulheres e às vítimas do acidente acontecerá
na Capela São Sebastião, em Brejo Santo, presidida por Frei José Davi, pároco
do Santuário São Francisco das Chagas, em Canindé. O momento será às 19h.
Como está Brejo Santo após a tragédia
Além dos números, o sentimento: Brejo Santo sofre em luto e comoção até agora. As palavras
são da servidora pública Celma da Silva Ferreira, 47. Ela é parente ou mantém
relação de proximidade com todos os envolvidos na tragédia ao residir no mesmo
local de onde eles partiram e também moravam, a comunidade São Sebastião.
“O acidente abalou a cidade porque muitas das
pessoas a bordo eram da mesma comunidade e tinham vínculos familiares e de
amizade. Por parte do município, todas as medidas necessárias foram adotadas
para garantir total apoio, assistência e amparo às famílias atingidas, bem como
aos feridos que se encontram hospitalizados”
Celma da Silva Ferreira
Servidora pública
Também compartilha que, desde os primeiros momentos
após o ocorrido, familiares receberam apoio da Prefeitura de Brejo
Santo e de representantes políticos. Segundo ela, a Secretaria Municipal de
Saúde colaborou do deslocamento dos acompanhantes a Fortaleza até a atualização
frequente sobre o estado de saúde dos pacientes.
“A Prefeitura e a Secretaria de Saúde fizeram tudo o
que estava ao alcance para amparar as vítimas e suas famílias. Todo
esse apoio tem sido muito importante para nos dar força e enfrentar
esse momento tão difícil”, diz.
“Ao receber a notícia, entrei em estado de choque e,
até hoje, ainda é difícil acreditar que esse pesadelo atingiu a minha
família. A dor causada por essa tragédia é enorme e representa uma
perda que jamais esquecerei. Sem dúvida, esse acontecimento ficará marcado
para sempre na minha vida e na história de nossa comunidade”.
Investigação do acidente
Em nota, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informa
que segue investigando as circunstâncias do acidente de trânsito.
Conforme o texto, o condutor do veículo permaneceu
no local e realizou teste de alcoolemia, com resultado negativo. “O
caso está a cargo da Delegacia de Polícia Civil de Canindé”, concluiu a nota.
Relembre o caso
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros de
Canindé, Capitão Erasmo Vieira da Costa, a equipe foi acionada às 6h20 do dia 4
de julho para a ocorrência na CE-456, lugar do acidente. Ao chegar no local,
constatou-se que havia pessoas mortas e tripulantes com membros amputados.
Entre os sobreviventes, 34 adultos e duas crianças
foram encaminhados ao Hospital Municipal de Canindé e à Unidade de Pronto
Atendimento (UPA) 24h do município.
No local, vítimas informaram que o ônibus vinha da
Vila São Sebastião, em Brejo Santo, para Canindé, com cerca de 50 pessoas,
entre adultos e crianças – trajeto repetido por eles ao longo de quatro anos em
romaria.
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