Fonte: Diário do Nordeste
Pelo menos três lojas da Casas Bahia foram fechadas
no Ceará nos últimos dias, em Fortaleza, Itapipoca e Pacajus. Os encerramentos
ocorrem em meio ao pedido de recuperação judicial da varejista, que fechou 298
unidades e demitiu 3 mil funcionários em todo o Brasil na última semana.
A loja do bairro Montese, em Fortaleza, foi uma das
fechadas. Um aviso na porta do estabelecimento informa o encerramento das atividades.
"Para atendimento e continuidade dos serviços, por favor, dirija-se à Loja
Parangaba", diz o cartaz.
A empresa, contudo, não confirma quais unidades já
foram e ainda serão impactadas no Estado. Em maio de 2026, segundo informações
do site da companhia, eram 29 lojas no Ceará, onde a rede de eletrodomésticos,
móveis e eletrônicos atua desde 2011.
As unidades no Centro e em shoppings da Capital não
foram afetadas até o momento. Em resposta ao Diário do Nordeste, os shoppings
Parangaba, RioMar Fortaleza, RioMar Kennedy, Center Um, North Shopping
Fortaleza, Jóquei e Maracanaú informaram que não há previsão de fechamento.
SEGUNDA
FASE DA REESTRUTURAÇÃO
A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação
judicial na Justiça de São Paulo para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em
dívidas. O pedido foi justificado pelos juros elevados, pela restrição ao
crédito, pelo aumento dos custos e pela queda no consumo.
O fechamento das lojas integra a segunda fase de um
projeto de reestruturação da empresa. Em 2023, foram encerradas 55 unidades,
com redução de postos de trabalho.
A continuidade das medidas se mostrou necessária
diante do alto nível de endividamento, segundo a companhia. Em 2024, a
varejista já havia recorrido a um processo de recuperação extrajudicial para renegociar
cerca de R$ 4 bilhões.
No segundo trimestre de 2026, registrou prejuízo
líquido de aproximadamente R$ 978 milhões. A receita líquida atingiu R$ 800
milhões.
A empresa informou que pretende manter o
funcionamento das lojas físicas, do e-commerce e dos demais canais de venda,
sem impacto relevante para os consumidores neste momento.
Quais
os impactos para o Ceará?
O impacto da crise no mercado cearense dependerá da
disponibilidade de caixa para sustentar estoques e aluguéis e das decisões apresentadas
no plano de recuperação judicial, segundo o presidente do Sistema Fecomércio Ceará,
Luiz Fernando Bittencourt.
A federação entende que o caso não representa a
situação de todo o comércio, já que tem como base um endividamento próprio
elevado do grupo.
"Ao mesmo tempo, a crise evidencia dificuldades
que atingem o varejo de bens duráveis, como juros altos, crédito restrito e
menor capacidade de consumo das famílias. Portanto, é um caso empresarial
específico, mas inserido em um ambiente econômico desafiador", aponta.
Bittencourt ressalta que a recuperação judicial
oferece proteção temporária contra cobranças e pode reduzir o risco de
interrupção abrupta, mas não elimina os riscos nem os problemas operacionais e
financeiros.
A possível perda de empregos no Ceará dependerá da
aprovação e da execução do plano de recuperação, da capacidade de negociação
com credores e da disponibilidade de recursos para sustentar operações, bem como
do desempenho dos negócios.
"Estamos acompanhando o caso com atenção,
especialmente pelos possíveis reflexos no comércio e no mercado de trabalho do
Ceará. A preocupação envolve a continuidade das lojas, a preservação dos
empregos e os efeitos sobre fornecedores, transportadores e prestadores de serviços
locais", afirma.
FORTE
CONCORRÊNCIA COM E-COMMERCE
A necessidade de reestruturação acompanha um
movimento de baixa nas vendas do segmento varejista no Brasil, explica o
economista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Ricardo Coimbra.
"O segmento varejista não vem bem já há algum
tempo, principalmente pela concorrência dos marketplaces. E algumas das
empresas também estão se tornando marketplaces, como Casas Bahia e
Magalu", aponta.
O especialista projeta que a tendência de redução de
custos com pontos fixos também deve abranger o Ceará, com eliminação das
unidades com baixa capacidade de gerar receita.
Segundo a empresa, a estratégia consiste em
priorizar canais e categorias de maior rentabilidade, reduzindo o capital
empregado e o custo de financiamento. Foram encerradas as lojas com pouca geração
de caixa. O plano também prevê otimizar o giro de estoque e reduzir o
mostruário das unidades.
Entre as oportunidades de crescimento apontadas pela
companhia estão a monetização de ativos, o crediário digital, a instalação de
minilojas parceiras dentro dos pontos físicos (store-in-store) e a
terceirização da operação de e-commerce.





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