quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Réu planejou morte de ex-namorada para noiva não saber de encontros em Morrinhos, no CE

 

Matéria copiada do Diário do Nordeste


Justiça recebeu denúncia do MPCE contra Francisco Dionatas Mota de Sousa, de 18 anos.

Francisco Dionatas Mota de Sousa, de 18 anos, conhecido como "Diones", tornou-se oficialmente réu perante a Justiça do Ceará. O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou o jovem pelo crime de homicídio triplamente qualificado, feminicídio, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, Ana Rérica de Messias, de 19 anos. O crime ocorreu em 29 de maio deste ano, na cidade de Morrinhos, na zona norte do Ceará.

Conforme a acusação do órgão ministerial, o réu premeditou e executou o crime motivado pelo temor de que sua atual noiva descobrisse que ele vinha se encontrando às escondidas com a ex-namorada, Ana Rérica.

A denúncia oferecida pelo MPCE foi recebida pelo juiz substituto José Rodrigues de Lima Neto, da 1ª Vara da Comarca de Marco, após a confirmação de indícios suficientes de autoria e da materialidade do crime.

Após a Justiça acatar a denúncia, a defesa do acusado, sob a representação da advogada Francisca Mikaelly Barros Sousa, protocolou uma petição solicitando a atribuição de sigilo absoluto aos autos.

O argumento principal foi de que documentos sensíveis da investigação, incluindo detalhes do laudo cadavérico, fotografias e vídeos do local do crime, estavam sendo indevidamente vazados e explorados por páginas de notícias e redes sociais locais.


A promotoria manifestou-se favoravelmente ao pedido de segredo de justiça, ressaltando que o crime envolvia a intimidade familiar e que a medida resguardaria a dignidade e a honra da jovem assassinada e de seus parentes.

Entretanto, nesta semana, o juiz José Rodrigues de Lima Neto indeferiu o pedido da defesa de colocar todo o processo sob segredo. O magistrado justificou que o princípio constitucional da publicidade dos atos processuais deve ser mantido, não havendo requisitos excepcionais para o sigilo total da ação.

Em contrapartida, para evitar a revitimização e proteger a honra da jovem, o juiz determinou em caráter definitivo o resguardo e o sigilo exclusivo sobre o nome da vítima nos sistemas de consulta pública.

Feminicídio em estrada de terra

O crime ocorreu na noite de 29 de maio de 2026, por volta das 21h, em uma estrada vicinal escura e deserta localizada atrás de um posto de combustíveis na localidade de Bom Princípio, na zona rural de Morrinhos.

Francisco Dionatas e a vítima haviam namorado no passado e estavam separados há cerca de quatro anos. Contudo, dias antes do ocorrido, Dionatas procurou a vítima simulando um desejo de reaproximação amorosa, mentindo que estava solteiro e havia terminado seu relacionamento atual.

Rérica aceitou encontrar-se com o ex-namorado em uma região erma. No local combinado, Dionatas a atacou brutalmente utilizando uma faca de cozinha.

De acordo com os exames periciais realizados pela Perícia Forense (Pefoce), a vítima tentou se defender dos primeiros ataques, o que resultou em uma lesão de defesa no antebraço esquerdo.

Ela ainda conseguiu desembarcar de sua motocicleta e correr a pé pela estrada de terra para tentar fugir. No entanto, foi alcançada pelo agressor e golpeada diversas vezes na região do pescoço, face e dorso.

A faca utilizada no crime e o aparelho celular da vítima foram posteriormente localizados por familiares escondidos em um matagal próximo à cena do crime.

Prisão do acusado

Francisco Dionatas foi preso quase um mês da morte da jovem e atualmente encontra-se preso na Unidade Prisional de Sobral (UP-Sobral), onde aguarda as próximas fases do julgamento pelo Tribunal do Júri.

Além do mandado de prisão, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, sendo um deles na casa do investigado. Foram apreendidos aparelhos celulares e outros objetos que devem contribuir com o aprofundamento das investigações.

 

 


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