segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Sobral está entre municípios do Ceará com transmissão sustentada de dengue, aponta Sesa

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Por Redaçâo Sobral.Com

 Município aparece entre as cidades da região Norte classificadas com alta ou muito alta incidência de casos confirmados; alerta ocorre em meio ao aumento de 172,7% nas confirmações da doença no Ceará.

O avanço dos casos de dengue no Ceará acende um alerta também na região Norte do Estado. Dados analisados pelo Diário do Nordeste a partir do IntegraSUS e do Informe Operacional de Arboviroses da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) apontam que **Sobral está entre os municípios classificados com alta ou muito alta incidência de casos confirmados da doença.

A situação integra um cenário mais amplo no Ceará. Segundo levantamento divulgado pelo Diário do Nordeste nesta segunda-feira (24), o Estado contabilizava 36.393 notificações e mais de 11 mil casos confirmados de dengue até o início de agost. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento de 91,7% nas notificações e de 172,7% nos casos confirmados. Os dados do IntegraSUS utilizados na reportagem foram levantados em 21 de agosto.

De acordo com o Informe da Sesa, 34 municípios cearenses apresentam incidência alta ou muito alta de casos prováveis, classificação que representa um cenário de risco para ocorrência de epidemias. Dentro desse grupo, 25 municípios apresentam alta ou muito alta incidência especificamente de casos confirmados**, situação caracterizada pela Pasta como transmissão ativa sustentada da dengue. Sobral está entre essas cidades.

 Região Norte concentra oito municípios em situação de alerta

O cenário chama atenção pela quantidade de municípios da região Norte incluídos na relação. Além de Sobral, aparecem Tianguá, Hidrolândia, Catunda, Reriutaba, Guaraciaba do Norte, Tamboril e Croatá.

A concentração regional ganha ainda mais relevância porque, segundo os dados apresentados na reportagem, as Superintendências Regionais de Saúde Norte e Fortaleza concentram aproximadamente 62,5% das notificações de dengue registradas no Ceará.

Com isso, o alerta estadual ganha uma dimensão regional: cidades próximas umas das outras apresentam transmissão da doença, o que reforça a necessidade de manutenção das ações de vigilância e combate ao mosquito Aedes aegypti.

 Ceará registra casos graves e mortes

O levantamento também mostra que a situação não se limita ao aumento das notificações. Em 2026, o Ceará já registrou **376 casos de dengue com sinais de alarme e 19 casos de dengue grave**. Segundo o Diário do Nordeste, 18 mortes foram confirmadas e outras cinco permaneciam sob investigação.

Entre os óbitos confirmados, cinco ocorreram na Superintendência Regional de Saúde Norte.

O período de maior concentração dos casos confirmados ocorreu entre **22 de junho e 1º de agosto**, enquanto os exames analisados pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen) apresentaram aumento progressivo da positividade a partir do fim de maio, com trajetória de alta até a Semana Epidemiológica 29, entre 19 e 25 de julho. A Sesa relaciona o comportamento à intensificação da circulação viral e da transmissão em determinadas regiões.

DENV-2 predomina, mas circulação do DENV-3 preocupa

Outro ponto destacado pelo Diário do Nordeste é a circulação dos diferentes sorotipos do vírus da dengue.

As análises laboratoriais apontam predominância do DENV-2, responsável por 85,7% das amostras, seguido pelo DENV-1, com 13,6%. O DENV-3 apareceu em apenas 0,7% das amostras, mas sua presença em diferentes municípios preocupa as autoridades sanitárias devido à dispersão geográfica.

Até o momento, a Sesa identificou o DENV-3 em municípios como Russas, Fortaleza, Brejo Santo, Aracati, Iguatu, Caucaia e Camocim, município também localizado na região Norte do Estado.

A preocupação está relacionada ao fato de que grande parte da população possui pouca imunidade contra esse sorotipo, o que pode favorecer novos surtos caso a circulação se intensifique.

 Situação de Sobral precisa ser atualizada

Para o recorte local, um dos principais pontos da apuração deve ser a atualização dos números específicos de Sobral.

A classificação do município pela Sesa já demonstra que há transmissão ativa sustentada, mas os dados estaduais utilizados pelo Diário não detalham, na reportagem, o número atualizado de casos confirmados, notificações, casos graves e eventuais óbitos exclusivamente de Sobral.

Por isso, a Secretaria Municipal da Saúde deve ser procurada para informar:

* número atualizado de casos notificados e confirmados de dengue em Sobral em 2026;

* quantidade de casos considerados graves ou com sinais de alarme;

* existência de óbitos confirmados ou sob investigação;

* bairros e distritos com maior concentração de casos;

* ações realizadas pelos agentes de endemias;

* número de imóveis visitados e focos encontrados;

* funcionamento das ações de bloqueio e controle do *Aedes aegypti*;

* situação dos estoques de insumos utilizados no combate ao mosquito;

* orientação da Prefeitura diante da classificação de Sobral como município com transmissão ativa sustentada.

 Prevenção continua sendo fundamental

A Sesa reforça que a população deve procurar atendimento médico diante de febre alta de início repentino acompanhada de sintomas como dor de cabeça, prostração, dores musculares ou articulares e dor atrás dos olhos.

Também são considerados sinais de alerta para evolução da doença para formas graves sintomas como dor abdominal intensa, vômitos frequentes, tontura ou sensação de desmaio, dificuldade para respirar e sangramentos.

No combate à doença, a recomendação permanece voltada principalmente à eliminação dos criadouros do mosquito, com atenção para recipientes que acumulam água, caixas-d'água, calhas, lajes, ralos e outros pontos que possam servir para a reprodução do Aedes aegypti.

O cenário apontado pela Sesa coloca Sobral dentro de um alerta que ultrapassa os limites do município. Com outras sete cidades da região Norte também classificadas com alta ou muito alta incidência de casos confirmados, os dados reforçam a necessidade de acompanhar a evolução da dengue na região e as medidas adotadas pelo poder público para evitar que o atual cenário avance para novos surtos.

 

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