A segurança pública será a principal pauta do
antipetismo que a oposição deve adotar para enfrentar a hegemonia petista nas
eleições de 2026, seguida pelo discurso anticorrupção.
Essa estratégia aparece em um vídeo publicado no
Instagram, no qual Ciro Gomes, já em tom de pré-campanha, surge ao lado de
aliados ligados às forças de segurança: Capitão Wagner (presidente estadual do
União Brasil), o deputado estadual Sargento Reginauro e o vereador Soldado
Noélio. No material, Ciro acena diretamente a policiais civis, militares e
bombeiros, defendendo a valorização da categoria no Ceará.
No vídeo, Ciro se dirige aos militares e ao povo
cearense para tratar do que considera a “mais grave preocupação do povo do
Ceará”: a segurança pública. Segundo ele, recebeu dos próprios profissionais da
segurança a informação de que as leis orgânicas nacionais das polícias Civil e
Militar, em vigor no Brasil, não estariam sendo cumpridas no estado.
Ciro classifica a situação como uma “desmoralização”
e aponta ilegalidades. Em discurso direcionado aos policiais do Ceará, ele
reitera o que soa como um compromisso de campanha, caso venha a ser candidato.
“Tendo nós, qualquer um de nós, a oportunidade, temos que lutar para que, como
primeira providência, a gente coloque em vigor essa lei, para que o policial
civil, o policial militar, que estão todo dia expondo suas vidas para nos
proteger, tenham a certeza de que são respeitados, pelo menos no básico dos
seus direitos”, destacou.
Na sequência, Capitão Wagner encerra o vídeo
reforçando o compromisso da oposição com a categoria: colocar em prática a Lei
Orgânica da Polícia Civil e a Lei Orgânica da Polícia Militar e do Corpo de
Bombeiros no Ceará. De acordo com as informações apresentadas, a aplicação
dessas leis garantiria escalonamento salarial, escala digna de trabalho e
aumento do auxílio-alimentação.
Apesar da atual aproximação, Ciro e Wagner já
protagonizaram desavenças e trocas de críticas em eleições anteriores, quando o
tema central também era a segurança pública. Em 2016, durante a disputa pela
Prefeitura de Fortaleza, quando Wagner enfrentou Roberto Cláudio que buscava a
reeleição com o apoio de Ciro, o ex-ministro criticou a forma como Wagner
abordava a segurança pública na capital, afirmando que o discurso amedrontava a
população e chegando a classificá-lo como fascista.
Em 2022, Ciro voltou a tecer duras críticas a
Wagner, inclusive atribuindo a ele o aumento da violência no Ceará. “É um ciclo
da sequência dos motins, criados pelo candidato da oposição, Wagner”, afirmou à
época. O então ex-deputado venceu duas ações judiciais contra Ciro Gomes
relacionadas a essas declarações.
Com a aproximação de Ciro da oposição cearense de
olho nas eleições de 2026, os dois selaram uma reaproximação durante a
cerimônia de filiação de Ciro ao PSDB, em outubro de 2025, com direito a
elogios públicos. Na ocasião, Wagner retirou três processos que movia contra
Ciro, alegando que “não fazia mais sentido”, após o ex-ministro apresentar
desculpas.
Pelo discurso apresentado, é possível observar que o
principal objetivo da oposição é pautar o debate sobre segurança pública junto
ao povo cearense, como eixo central do projeto político liderado por Ciro
Gomes. A estratégia passa, sobretudo, pela aproximação com policiais civis,
policiais militares e bombeiros do Ceará.