sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Chagas Vieira vê, mas não observa e dobra a aposta: Elmano vence no 1º turno; Ciro fica em 3º lugar



Chagas Vieira resolveu subir o tom. Convicto da reeleição de Elmano de Freitas, o chefe da Casa Civil agora vai além: aposta que Ciro Gomes não só perde a disputa pelo Governo do Ceará, como termina em terceiro lugar, atrás do senador Eduardo Girão.

A leitura de Chagas parte de um roteiro que, segundo ele, já se repetiu. O exemplo vem das eleições de Fortaleza, em 2024. Naquele momento, as pesquisas apontavam Capitão Wagner e José Sarto disparados, com Evandro Leitão e André Fernandes correndo por fora. Chagas foi na contramão e disse que o jogo viraria. Virou. Evandro foi eleito prefeito.

Agora, no tabuleiro estadual, Chagas sustenta que o enredo será parecido. Para ele, Girão herda o eleitorado bolsonarista e da direita no Ceará, se consolida como o principal adversário de Elmano, e Ciro repete o destino de Sarto: muito discurso, pouco voto e um amargo terceiro lugar.

A aposta vem mesmo com os números mostrando um cenário mais apertado do que o governo gostaria de admitir.

Elmano foi eleito governador em 2022 com folga: 54,02% dos votos válidos, ainda no primeiro turno. Capitão Wagner ficou em segundo, com 31,72%, e Roberto Cláudio em terceiro, com 14,14%. Mas 2026 não parece caminhar com a mesma tranquilidade.

Dias atrás, o próprio Chagas divulgou dados da pesquisa Real Time Big Data. No cenário espontâneo, Elmano aparece com 15%, Ciro com 6% e um gigantesco bloco de 64% de indecisos. Já no cenário estimulado, Elmano marca 41% contra 38% de Ciro, com margem de erro de 2 pontos percentuais, o que, numa leitura honesta, configura empate técnico.

Mesmo assim, Chagas insiste: Ciro é só recall.

O argumento do governo é claro. Elmano está focado nas entregas, enquanto o PT evita antecipar o discurso eleitoral para não ofuscar as realizações. A avaliação interna é que eleição se vence com obra, serviço e política pública, não com retórica. Nos bastidores, claro, a conversa e alianças está acontecendo, mas o foco público segue sendo gestão.

Chagas também bate forte na coerência de Ciro. Para ele, o pedetista se alia a antigos adversários apenas com um objetivo: derrotar o PT. Esse movimento, segundo o chefe da Casa Civil, é o elo que une Ciro à direita e ao bolsonarismo no Ceará.

Só que há pontos que Chagas vê e prefere minimizar.

Ciro Gomes ainda tem capital político. Mesmo sem se declarar pré-candidato, se comporta como um. E só a especulação em torno do seu nome já mexe com a Abolição. Com discurso afiado e um currículo pesado, Ciro ameaça Elmano mesmo sem máquina, enquanto o governador tem ao seu lado Lula, Camilo Santana e Evandro Leitão.

Outro ponto sensível é o risco real de o sonho do primeiro turno ir por água abaixo. A cada pesquisa, Ciro encosta mais. E Elmano não enfrenta um nome qualquer, mas o irmão de Cid Gomes. Rompidos politicamente? Sim. Mas, na política, sangue pesa.

O silêncio recente de Cid chama atenção. Ele já declarou apoio a Elmano várias vezes, mas desde que Ciro passou a crescer nas pesquisas, o discurso cessou. Mais que isso: os sinais dos liderados de Cid são claros. Lia Gomes, ao ser questionada sobre apoio a Elmano, foi direta: está com Cid, o líder. O prefeito de Forquilha, Edinardo Filho, adotou o mesmo tom, agradece Elmano, mas reafirma lealdade a Cid, que decidirá o caminho.

Tem ainda o fator União Brasil e PP. Ciro já sentou à mesa com os caciques nacionais, como Ciro Nogueira e Antonio Rueda, para discutir alianças em 2026. A oposição garante que a federação União Progressista seguirá fora do governo e apoiará Ciro. Do outro lado, Elmano espera o apoio formal da federação e confia na articulação de nomes como Moses Rodrigues, Fernanda Pessoa e AJ Albuquerque. Mas, com União e PP na oposição, o tabuleiro muda, e rápido.

No fim das contas, mesmo com a máquina pública, apoio de Lula, Camilo, Evandro, entregas quase diárias e uma base robusta, Elmano ainda encontra dificuldade para abrir vantagem confortável sobre Ciro nas pesquisas.

Chagas Vieira dobra a aposta e banca o terceiro lugar de Ciro. O problema é que, na política, quem aposta cedo demais costuma esquecer que o jogo só termina quando a última urna fecha.


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