Chagas Vieira resolveu subir o tom. Convicto da reeleição de Elmano de Freitas, o chefe da Casa Civil agora vai além: aposta que Ciro Gomes não só perde a disputa pelo Governo do Ceará, como termina em terceiro lugar, atrás do senador Eduardo Girão.
A leitura de Chagas parte de um roteiro que, segundo
ele, já se repetiu. O exemplo vem das eleições de Fortaleza, em 2024. Naquele
momento, as pesquisas apontavam Capitão Wagner e José Sarto disparados, com
Evandro Leitão e André Fernandes correndo por fora. Chagas foi na contramão e
disse que o jogo viraria. Virou. Evandro foi eleito prefeito.
Agora, no tabuleiro estadual, Chagas sustenta que o
enredo será parecido. Para ele, Girão herda o eleitorado bolsonarista e da
direita no Ceará, se consolida como o principal adversário de Elmano, e Ciro
repete o destino de Sarto: muito discurso, pouco voto e um amargo terceiro
lugar.
A aposta vem mesmo com os números mostrando um
cenário mais apertado do que o governo gostaria de admitir.
Elmano foi eleito governador em 2022 com folga:
54,02% dos votos válidos, ainda no primeiro turno. Capitão Wagner ficou em
segundo, com 31,72%, e Roberto Cláudio em terceiro, com 14,14%. Mas 2026 não
parece caminhar com a mesma tranquilidade.
Dias atrás, o próprio Chagas divulgou dados da
pesquisa Real Time Big Data. No cenário espontâneo, Elmano aparece com 15%,
Ciro com 6% e um gigantesco bloco de 64% de indecisos. Já no cenário
estimulado, Elmano marca 41% contra 38% de Ciro, com margem de erro de 2 pontos
percentuais, o que, numa leitura honesta, configura empate técnico.
Mesmo assim, Chagas insiste: Ciro é só
recall.
O argumento do governo é claro. Elmano está focado
nas entregas, enquanto o PT evita antecipar o discurso eleitoral para não
ofuscar as realizações. A avaliação interna é que eleição se vence com obra,
serviço e política pública, não com retórica. Nos bastidores, claro, a conversa
e alianças está acontecendo, mas o foco público segue sendo gestão.
Chagas também bate forte na coerência de Ciro. Para
ele, o pedetista se alia a antigos adversários apenas com um objetivo: derrotar
o PT. Esse movimento, segundo o chefe da Casa Civil, é o elo que une Ciro à
direita e ao bolsonarismo no Ceará.
Só que há pontos que Chagas vê e prefere
minimizar.
Ciro Gomes ainda tem capital político. Mesmo sem se
declarar pré-candidato, se comporta como um. E só a especulação em torno do seu
nome já mexe com a Abolição. Com discurso afiado e um currículo pesado, Ciro
ameaça Elmano mesmo sem máquina, enquanto o governador tem ao seu lado Lula,
Camilo Santana e Evandro Leitão.
Outro ponto sensível é o risco real de o sonho do
primeiro turno ir por água abaixo. A cada pesquisa, Ciro encosta mais. E Elmano
não enfrenta um nome qualquer, mas o irmão de Cid Gomes. Rompidos
politicamente? Sim. Mas, na política, sangue pesa.
O silêncio recente de Cid chama atenção. Ele já
declarou apoio a Elmano várias vezes, mas desde que Ciro passou a crescer nas
pesquisas, o discurso cessou. Mais que isso: os sinais dos liderados de Cid são
claros. Lia Gomes, ao ser questionada sobre apoio a Elmano, foi direta: está
com Cid, o líder. O prefeito de Forquilha, Edinardo Filho, adotou o mesmo tom,
agradece Elmano, mas reafirma lealdade a Cid, que decidirá o caminho.
Tem ainda o fator União Brasil e PP. Ciro já sentou
à mesa com os caciques nacionais, como Ciro Nogueira e Antonio Rueda, para
discutir alianças em 2026. A oposição garante que a federação União
Progressista seguirá fora do governo e apoiará Ciro. Do outro lado, Elmano
espera o apoio formal da federação e confia na articulação de nomes como Moses
Rodrigues, Fernanda Pessoa e AJ Albuquerque. Mas, com União e PP na oposição, o
tabuleiro muda, e rápido.
No fim das contas, mesmo com a máquina pública,
apoio de Lula, Camilo, Evandro, entregas quase diárias e uma base robusta,
Elmano ainda encontra dificuldade para abrir vantagem confortável sobre Ciro
nas pesquisas.
Chagas Vieira dobra a aposta e banca o terceiro
lugar de Ciro. O problema é que, na política, quem aposta cedo demais costuma
esquecer que o jogo só termina quando a última urna fecha.






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