sexta-feira, 26 de junho de 2026

Abandono escolar no Ensino Médio do CE chega ao menor índice dos últimos 10 anos

Foto: Thiago Gadelha.

Fonte: Diário do Nordeste

O Ceará alcançou uma marca histórica em 2025. De acordo com novos dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta sexta-feira (26), a taxa de abandono no Ensino Médio registrou o nível mais baixo na última década, sendo inclusive menor que as médias regional e nacional, embora tenha desacelerado nos últimos anos.

Segundo o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a taxa de abandono refere-se ao percentual de estudantes que deixaram de frequentar a escola durante o ano letivo e não retornaram até o encerramento do período escolar. Os dados são referentes às redes públicas e privadas, porém a maior parte está na rede pública.

Na prática, não se trata apenas de faltas pontuais, mas de uma interrupção real da trajetória escolar naquele ano. Por exemplo, se em uma turma de 100 alunos, 3 deixarem os estudos antes do fim do ano, a taxa de abandono é calculada em 3%.

Ao analisar a série histórica do Ceará, observa-se que o cenário atual é resultado de uma redução praticamente contínua ao longo dos anos. Veja na série histórica:

Os dados mostram que a redução foi mais acelerada na segunda metade da década passada e começou a ocorrer em ritmo mais lento à medida que o indicador atingiu patamares mais baixos.

Entre 2016 e 2019, a taxa caiu de 8,7% para 3,5%, uma redução de 5,2 pontos percentuais em apenas três anos. Já entre 2023 e 2025, a queda foi de 2,0% para 1,4%, equivalente a 0,6 ponto percentual.

Apesar dessa desaceleração, a trajetória permaneceu em queda e levou o indicador ao menor nível da série analisada, sugerindo que os ganhos mais expressivos ocorreram nos primeiros anos do período analisado e que novas reduções passaram a acontecer sobre uma base já bastante pequena.

Em comparação com outras esferas, o índice atual do Ceará (1,4%) é melhor do que a média do Brasil (2,2%) e do Nordeste (1,9%).

Ceará no ranking nacional

Apesar dos avanços significativos, o Ceará ocupa atualmente a 11ª posição entre os Estados com as menores taxas de abandono no Ensino Médio no país.

Conforme o Censo Escolar, o ranking das menores taxas de 2025 por Estado é:

Mato Grosso: 0,1%

Piauí: 0,4%

Espírito Santo: 0,5%

Pará: 0,6%

Pernambuco: 0,6%

Paraná: 0,6%

Mato Grosso do Sul: 0,8%

Goiás: 0,9%

Tocantins: 1,1%

Alagoas: 1,3%

Ceará: 1,4%

Programa Pé-de-Meia

Para o Ministério da Educação (MEC), essa melhora expressiva nos indicadores pode ser reflexo direto do impacto do programa Pé-de-Meia, implementado em 2024.

A iniciativa, que completou dois anos, oferece um incentivo financeiro para que os estudantes de baixa renda permaneçam na escola e concluam o Ensino Médio, combatendo diretamente a necessidade de evasão por questões econômicas.

Na última semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que, nos últimos dez anos, o percentual de estudantes cearenses de 15 a 17 anos que tem alguma forma de ocupação além do estudo caiu pela metade.

Em 2016, cerca de 32 mil jovens nessa faixa etária trabalhavam, fosse de forma remunerada ou ajudando em algum negócio familiar. Já em 2025, o quantitativo chegou a 16 mil.

Estagnação em outras etapas

Além do Ensino Médio, os dados do Censo Escolar trouxeram a evolução das etapas anteriores da Educação Básica no Ceará.

Nos Anos Iniciais, que compreendem do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, a taxa de abandono escolar está estacionada em 0,1% há três anos (2023, 2024 e 2025).

Esse índice residual demonstra que quase todas as crianças nessa faixa etária permanecem na escola ao longo de todo o ano letivo, mantendo a regularidade no andamento dos estudos.

Já nos Anos Finais, etapa que abrange do 6º ao 9º ano, a taxa de abandono também se manteve estagnada em 0,3% pelo terceiro ano consecutivo (2023, 2024 e 2025).

Embora o índice seja ligeiramente superior ao dos Anos Iniciais, ainda está em patamar baixo, evidenciando que o grande desafio está na transição e permanência no Ensino Médio.

 

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