Matéria sobral.com - Rachell Alvez
A capoeira entrou na vida da Sobralense, Teca aos 11 anos, por meio do projeto "Capoeira na Escola", quando era aluna da escola Ivonir Aguiar Dias. O primeiro contato ocorreu após o convite de um instrutor que passava de sala em sala. Mesmo sem saber gingar, a paixão pela prática foi imediata, superando desde cedo o questionamento se meninas também podiam participar”
Apesar de o ambiente ainda ser majoritariamente masculino devido a estruturas sociais históricas, Teca construiu seu espaço inspirado por mulheres que vieram antes.
Em Sobral, ela enfrentou episódios de apagamento e silenciamento por parte de outros capoeiristas, mas persistiu por meio do treino, do aprofundamento musical e do apoio de mestres, jovens e comunidades que acreditaram em seu trabalho.
"A presença feminina na capoeira ainda desafia estruturas historicamente construídas. Persisti. Continuei treinando, estudando e compreendendo que a capoeira também é um espaço de resistência e transformação social."
Além da prática física, ela aliou a capoeira à pesquisa acadêmica e às políticas públicas. Hoje, como professora, Teca destaca a importância da representatividade para inspirar novas gerações de meninas e mulheres a ocuparem espaços de liderança, quebrando estereótipos de gênero e democratizando as rodas.
“Acredito que minha presença como professora inspira outras mulheres e meninas, não porque eu ocupe um lugar extraordinário, mas porque a representatividade produz identificação.”
Atualmente, Teca lidera diversas frentes que utilizam a capoeira como instrumento educativo e cultural. Ela comanda o projeto “Expressa Capoeira”, que atende crianças e jovens na Vila União, em Sobral, e coordena o Ponto de Cultura Escola Capoeira Pé no Chão. Pensando no protagonismo feminino, também desenvolve o Coletivo Mulheres de Luanda, promovendo debates sobre gênero e ancestralidade.
A atuação expande-se ainda para a produção cultural e acadêmica, incluindo a publicação do livro "Um Universo Chamado Capoeira", o curta-metragem "Capoeira na Escola: Inspirando a Próxima Geração" no YouTube, e o projeto Capoeira Sustentável.
“Mais do que projetos isolados, considero que todas essas ações fazem parte de um mesmo propósito: fortalecer a capoeira como prática educativa, patrimônio cultural e instrumento de transformação social, ampliando seu alcance para diferentes espaços e gerações”.
"Olhar para trás é sentir gratidão. A maior
recompensa é ver crianças, jovens e, especialmente, meninas encontrando na
capoeira um espaço de pertencimento, aprendizado e transformação. Isso me
mostra que todo o caminho valeu a pena, e ainda quero continuar fazendo, construindo”

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