quarta-feira, 22 de julho de 2026

Nascido em Sobral, cineasta Luiz Carlos Barreto morre aos 98 anos no Rio de Janeiro

 


Fonte: g1-Globo

Morreu nesta quarta-feira (22) o cineasta Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos, um dos grandes nomes da história do cinema brasileiro. Sua atuação ajudou a mudar a forma como os filmes eram produzidos, financiados e distribuídos no país.

“Barretão” construiu uma trajetória de mais de 60 anos dedicada ao audiovisual, iniciada no Cinema Novo, com “Vidas Secas” e “Terra em Transe”. Entre as mais de 100 obras que dirigiu ou produziu estão os campeões de bilheteria “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “O Quatrilho” e “O Que É Isso, Companheiro” — com esses 2 últimos, levou o Brasil ao Oscar.

“O cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil”, costumava dizer Barretão.

Luiz Carlos Barreto estava internado desde segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele tratava uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.

O velório será realizado nesta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Após a cerimônia, o corpo será cremado no Memorial do Caju.

O cineasta era casado há 71 anos com a também produtora Lucy Barreto. Ele teve 3 filhos, que seguiram a profissão: Bruno, Fábio e Paula — Fábio morreu em 2019, após ficar em coma por 10 anos em decorrência de um acidente de carro no Rio, em 2009. Luiz Carlos também deixa 9 netos e 8 bisnetos.

De acordo com Paula, a saúde do pai vinha se deteriorando desde 2024, quando ele sofreu uma queda durante uma viagem ao Ceará.

Antes do cinema, o jornalismo

Luiz Carlos Barreto nasceu em Sobral, no Ceará, em 20 de maio de 1928.

O primeiro contato de Barreto com o mundo do cinema foi com Orson Welles, de “Cidadão Kane”, que viajou ao Ceará para filmar um documentário sobre jangadeiros que iriam até Getúlio Vargas pedir a regulamentação da profissão.

“Eu nem sonhava, tinha 12 anos de idade. Eu ia tomar meu banho de mar e, daqui a pouco, chega aquela equipe de gringos e se instala ali. Eu fiquei olhando, encantado”, disse Barreto em entrevista ao programa “Conversa com Bial”.

Mas, antes de se tornar um dos maiores produtores do país, trabalhou como fotógrafo da revista “O Cruzeiro”, experiência que ajudou a moldar seu olhar para a imagem e para as histórias brasileiras.

Como repórter-fotográfico, Barretão chegou a correspondente da publicação na Europa, onde clicou celebridades como Frank Sinatra, o presidente cubano Fidel Castro e a atriz Marylin Monroe.

Começo no Cinema Novo

Foi numa viagem à Bahia pela revista que conheceu Glauber Rocha, durante as filmagens de “Barravento”. O diretor, então, o convidou para trabalhar — e isso foi fundamental para o Cinema Novo.

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