Fonte: g1-Ceará
O marido da policial militar Júlia Natália Girão
Gomes, de 27 anos, suspeita de envolvimento na morte do soldado Raphael Sampaio
da Silva, 27, foi preso nesta terça-feira (11) após prestar depoimento na sede
do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, em
Fortaleza. Ele foi detido em flagrante pela posse de munições e documentos
falsos
A prisão de Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, de 35
anos, ocorreu depois da esposa dele, Júlia Natália, ser autuada em flagrante
pelo homicídio de Raphael, encontrado carbonizado em Itaitinga. A vítima era da
mesma equipe e do mesmo batalhão da suspeita.
A advogada Karla Borges, responsável pela defesa de
Antoneudo, destacou que, apesar da prisão do casal ter ocorrido no mesmo dia, a
detenção do cliente dela não ocorreu por conta do homicídio do soldado, mas sim
devido a munições e documentos apreendidos na casa do homem.
"Quando a gente já estava saindo da delegacia,
chamaram o Antoneudo para ser reinquirido e, nessa reinquirição, ele foi preso,
na maior absurdez do mundo, em flagrante de delito, por encontrarem seis
munições calibre 38 e algumas carteiras de identidade", falou Karla
Borges.
Ainda conforme a advogada de Antoneudo, os agentes
entraram na casa do cliente dela mesmo sem mandado de busca e apreensão que
autorizasse as buscas no imóvel, "quando o Antoneudo já se encontrava por
horas na delegacia".
A Secretaria da Segurança informou que o homem foi
autuado por falsificação de documento público e posse irregular de munição.
Ele já respondia por estelionato, falsa identidade,
lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa,
receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Além disso, em
2025, ele foi alvo de uma operação por vender contas falsas para motoristas de
app.
A Polícia Civil investiga se o casal tem
participação na morte de Raphael Sampaio da Silva motivada por um possível
relacionamento extraconjugal entre os dois policiais. As defesas negam.
'Ela
está confusa', diz defesa
O advogado Walmir Medeiros, que representa a defesa
de Júlia Natália, disse que a agente não consegue lembrar o que aconteceu.
"Ela não consegue me contar a história. Ela
conta flashes. Ela está confusa. Ela não consegue contar uma história com
início, meio e fim. Isso é prejudicial para ela, é prejudicial para a defesa e
é prejudicial para as investigações", disse Walmir Medeiros.
Júlia chegou a ser encontrada com as mãos amarradas
e alegou, no depoimento prestado à Polícia Civil, que tinha sido deixada em um
matagal próximo ao local do crime contra o PM Raphael. No entanto, uma câmera
de segurança registrou que ela esteve na oficina do marido horas antes. A
contradição foi um dos pontos que levou à prisão em flagrante da suspeita.
O advogado da policial também negou que a cliente
tivesse um relacionamento amoroso extraconjugal com o colega de farda.
"Diz ela que não teve traição nenhuma, não teve
ameaça. Estão associando que o policial namorava uma policial que era mulher de
integrante de facção. Ele [Antoneudo] não é integrante de facção e ela não
namorava o policial [que morreu]", falou Walmir.
Sobre a participação da PM no crime, o advogado
sustentou que ela também é vítima da ação criminosa que resultou na morte do
soldado Raphael.
"Não há provas contra ela. Há provas
circunstanciais e suposições. Ela estava com ele, ele foi morto e ela não. Isso
não a coloca na culpa do crime, a coloca na cena. Em razão disso, ela está
totalmente confusa, desprotegida", justificou o advogado.
Júlia Natália já respondia por estelionato, lavagem
ou ocultação de bens e por integrar organização criminosa.
Policial
foi baleado antes de ser incendiado
O corpo de Raphael Sampaio foi localizado no Bairro
Ancuri, em Itaitinga, na manhã desta terça-feira (11), após uma testemunha
acionar as forças de segurança ao avistar um veículo em chamas na região.
O Corpo de Bombeiros foi ao local, apagou o incêndio
no carro e identificou que havia um corpo no interior do automóvel.
Conforme a Secretaria, exames periciais realizados
pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) no corpo de Raphael Sampaio da Silva não
constataram "nenhuma amputação traumática".
"A perícia encontrou lesões por arma de fogo
feitas na vítima ainda em vida, com posterior carbonização do corpo", disse
a Secretaria da Segurança.
O soldado ingressou na Polícia Militar do Ceará em
junho de 2022. Ele estava, atualmente, lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão
de Polícia Militar (2ºCia/16ºBPM).
"A SSPDS lamenta profundamente a morte do
policial militar e se solidariza com a dor dos familiares e amigos, ao tempo em
que coloca o aparato da instituição à disposição", disse a Secretaria da
Segurança.
A investigação sobre o assassinato do agente segue a
cargo da Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP).
Investigação
rigorosa
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, também se
manifestou sobre a morte do agente. "Recebi com imenso pesar e indignação
a notícia da morte do PM Raphael Sampaio. Determinei ao secretário da Segurança
Pública rigor absoluto nas investigações. Os responsáveis por esse crime
bárbaro serão presos e entregues à Justiça", publicou o governador nas
redes sociais
O Ministério Público do Ceará informou que acompanha
as investigações sobre a morte do policial. O Procurador-Geral de Justiça,
Herbet Santos determinou a criação de uma força-tarefa integrada de promotores
que vão atuar em conjunto em eventuais procedimentos investigatórios e
judiciais relacionados à morte do policial militar.
“A medida considera a complexidade do caso,
especialmente por envolver um agente integrante das forças de segurança
pública, e tem como objetivo fortalecer a atuação institucional do Ministério
Público, contribuindo para que a apuração dos fatos ocorra de forma
independente, imparcial, célere e rigorosa”, disse a nota do MP.
A Associação das Praças Militares do Ceará
(Aspra-CE) divulgou uma nota de pesar pela morte do agente.
"Neste momento em que a dor se faz presente,
nos solidarizamos com seus familiares, amigos e irmãos de farda, rogando a Deus
que lhes conceda força e conforto para enfrentar esta perda, com serenidade e
fé. Que a certeza de que Raphael cumpriu sua missão e trilhou sua caminhada com
honra e dedicação possa trazer conforto aos corações daqueles que hoje sentem
sua partida", disse a Aspra.
A Associação dos Profissionais de Segurança (APS)
informou que "prestou à policial militar (presa) o atendimento inicial e
emergencial previsto em seu Estatuto, assegurado a todos os associados. Diante
da apresentação inicial da policial como suposta vítima, a Associação realizou
o acompanhamento jurídico com base no princípio da presunção de inocência.
Paralelamente, a APS também oferece assistência social à família do policial
militar".
"A situação segue em apuração, e a Diretoria,
em conjunto com a Coordenação Jurídica, avaliará as providências cabíveis no
decorrer do processo", concluiu a instituição.




0 comentários:
Postar um comentário